quarta-feira, abril 21, 2010

"Arroz de polvo"


"Sucedeu-me uma vez comer arroz de polvo tendo sido eu a apanhar o polvo... e garanto que nunca semelhante prato me soube tão bem como nessa ocasião. Era, aparentemente, um polvo igual a todos os outros e foi cozinhado da mesma forma que os outros. Mas era diferente: tinha resultado de horas de esforço, de vários fracassos, de sucessivas buscas inglórias nos rochedos, de alguns arranhões...

E verifiquei que na minha vida de saltimbanco, de escola em escola, ano após ano, me custou mais abandonar aqueles lugares onde tinha sido possível dar mais do meu tempo e do meu esforço aos meus alunos e às tarefas que realizei.

O sacrifício cria laços. Por que é que os teus filhos não são para ti o mesmo que as outras crianças? Não é apenas por serem do teu sangue; é, principalmente, porque te gastaste longamente para os tornar belos, saudáveis, fortes, íntegros; porque cuidaste deles; porque tiveste paciência; porque passaste noites sem dormir; porque te afligiste e choraste. Há tanto de ti naquilo que eles são que, de algum modo, vives neles e a sua vida é a tua vida.

Este género de união, criada e alimentada pelo sacrifício, tem o nome de amor. E não existe amor sem sacrifício. E não há outra coisa a que tão propriamente se possa chamar amor como à decisão desinteressada de tornar feliz outra pessoa custe o que custar.

A natureza dá-nos uma ajuda neste aspecto, com a sabedoria que manifesta. Se algum dia for acessível a qualquer mulher ser mãe sem passar pelas dores do parto, deverás recusar livremente essa possibilidade e escolher, ainda que tenhas medo, essas dores que te unirão com nós de ferro à criança que há-de nascer de ti.

Do mesmo modo, é bom que compreendas o enamoramento. É uma forma de a natureza aproximar as pessoas, mas não as une. Com ele, o enamorado sente gosto em se sacrificar para tornar feliz a sua bem-amada, e a ela sucede-lhe o mesmo. E enquanto, quase sem o notarem, sofrem para tornar o outro feliz, vão construindo o amor. Depois disso, mais cedo ou mais tarde, a paixão vai-se embora, com a missão cumprida.

Quando dás de ti, quando sofres pelos outros, crias laços. E desse modo estabeleces, ou descobres, o teu sentido. Passas a ter pontos de referência. Estás localizado e sabes para onde deves ir.

Os teus filhos, portanto, devem habituar-se desde pequenos a ajudar em casa, a prestar serviços na medida das suas capacidades. O lar, esse milagre quotidiano, deve ser também uma construção deles. Algumas vezes as tarefas que lhes deres exigir-lhes-ão um sacrifício custoso. Mas sem isso a casa não seria a sua casa: seria um lugar vazio, a pensão onde teriam de ir dormir e comer durante mais algum tempo, exigindo que os servissem sem falhas. Assim, porém, sentir-se-ão responsáveis por aquilo que foi também obra sua. Acabarão descobrindo por si mesmos as tarefas que é preciso realizar. Olharão para a casa, para os pais, para os irmãos com os olhos perspicazes do amor.

Não tenhas medo de sofrer. O sofrimento só dói quando não há um sentido que o ilumine, quando não se reveste de amor. Se eu for coxo e cada um dos meus passos me doer, mesmo assim hás-de de ver-me a correr encosta acima, se desse modo me aproximar de quem amo, se lá em cima um filho estiver a precisar de mim. Se reparares bem, notarás que não sofro com as dores que tenho, que os meus olhos brilham, que sorrio.

A desilusão, o fracasso, o esforço, o sofrimento e a morte... nada disso importa muito. Só dói verdadeiramente a falta de sentido."

Artigo publicado no Jornal "Diario Insular" de 17/04/10 da autoria de Paulo Gerardo.

quinta-feira, abril 01, 2010

segunda-feira, março 15, 2010

Os olhos não mentem

Por detrás do ar por vezes agressivo
E algumas vezes tempestuoso
Esconde-se uma pessoa
De coração meigo e terno
Sedenta de atenção e carinho
Porque
Mesmo com as atitudes diluvianas
Os olhos não mentem...os teus!
12 de Março de 2010

terça-feira, março 09, 2010

quinta-feira, janeiro 28, 2010

terça-feira, janeiro 19, 2010

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Licor de Chá



Aqui vai uma receita de licor de chá já antiga que me foi passada e a qual usei este Natal para fazer e oferecer a algumas pessoas amigas. Usei chá preto mas pode-se fazer com outro qualquer. Façam experiencias...

1,5 lt de água
½ Pacote de chá
1 Kg de açúcar
Essência de morango (a gosto)
Essência de chocolate (a gosto)
1 pau de canela
½ litro de álcool alimentar ou aguardente

Ferve-se o chá com a água durante 10 minutos, côa-se e ferve-se o açúcar, a canela durante (mais ou menos) 10 a 15 minutos.

Deixa-se arrefecer e deitam-se as essências e o álcool ou aguardente.

sexta-feira, outubro 09, 2009

"Apenas" uma foto


Ver mapa maior

que trás recordações de infância.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Um pensamento que me ocorreu...

"Por vez uma noite de prosa bem passada é melhor que a poesia de dois corpos unidos."

quinta-feira, setembro 10, 2009

...e esta...


Sabão azul e branco pode substituir desinfectantes na prevenção da gripe A.

Uma foto...apenas


Do meu jardim.

terça-feira, agosto 04, 2009

O Navegante


O mar
Eterno navegante solitário
Na companhia da saudade
De todos nós

Vagas de azul celeste
Molham-nos os corpos
Banham-nos o rosto
Encharcam-nos a alma

O ventre materno
Deixa-nos marcas
Desse mar que nos rodeia
Neste pedaço de terra

Botes, barcos, barcaças
Mariposa, bruços ou livremente
Desejamos ardentemente
A outra metade de nós…
O Mar Eterno.

9 de Junho de 2009

sexta-feira, julho 03, 2009

Noticia de últma hora

Soube-se à pouco que a Câmara Municipal de Lisboa vai por a Assembleia da República em Tribunal.

A acusação prende-se com o facto de a Assembleia da República ter dado uma tourada sem licença camarária.


quinta-feira, julho 02, 2009

Pensamento ao acaso

"Existem alturas em que, melhor do que escrever muita coisa sem nexo ou contexto, antes deixar a folha em branco."

sexta-feira, junho 19, 2009

Criti-camente

Saiu um novo disco deste cantor com voz de encher um auditório, que dá pelo titulo de Criticamente e, como o nome indica, todas as canções, são "criticas" á sociedade no geral. Para além disso, é mais um disco fabuloso dele. Vale a pena ouvir.

quinta-feira, junho 18, 2009

Falso vitral

Mais um trabalhito executado em falso vitral que ofereci a um casal amigo de longa data.
Em nota de rodapé, qual não foi o meu espanto (já que se trata do 2º trabalho feito) quando o vi em local de destaque na casa deles. É de ficar "babado".

quarta-feira, junho 03, 2009

Pintar uma tela

Gostava de pintar uma tela
Do tamanho imaginado
Que ocupasse o tecto do quarto

Pegar em tintas e pincéis
E desenhar riscos e rabiscos
Em cores de arco-íris

Aqui e ali passar meigamente
Com um pincel grosso
Cores de prosa
E um pincel fino
Cores de poesia
Quanto baste

Usar e abusar
Da paleta cromática
Misturar, baralhar e voltar a dar
Pinceladas sem razão aparente
Mas com um fim definido

Adorava pintar uma tela
Do tamanho da imaginação
Pendura-la no tecto do quarto
E vislumbrar os estados de espírito
As auroras boreais das almas
Ou apenas e tão só
As cores translúcidas e acetinadas
Das mil e uma cores base
Usadas e abusadas até á exaustão
Nos corpos despidos
De preceitos e preconceitos.

2 de Junho de 2009

quinta-feira, maio 21, 2009

Um pensamento recebido por mail

" Homem de toda a arte é burro em toda a parte"

sexta-feira, maio 08, 2009

quarta-feira, maio 06, 2009

Falso Vitral

Depois de ter participado num Workshop (nome cheio de etiqueta que agora se dá a cursos de formação) sobre "Técnicas de Falso Vitral" aqui fica o meu primeiro trabalho.