quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Mar


O mar
Eterno companheiro de viagens
Longínquas ou junto à costa
Por vezes meigo
Outras vezes
Duro como o asfalto
Onde caminhamos em peregrinação
A parte incerta
Como a incerteza
Do pescador
Cada vez que sai
Em busca de alimento
Ao mar…
Por vezes meigo
Como um beijo da mulher amada.
1 de Fevereiro de 2006

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Pensamento

"É impossível proceder ao infinito na série dos seres que se geram sucessivamente. Deve-se admitir, por isso, que existe um ser necessário que tenha em si toda a razão de sua existência, e do qual procedam todos os outros seres. A este chamamos Deus. "

(S. Tomás de Aquino)

domingo, janeiro 29, 2006

Eleane (em memória do meu passado) 3º Capitulo


- O Pai Natal a mim, nunca me trouxe nada do que eu queria, só me dá roupa e sapatos. - disse a pequena.
- E o que é que querias que ele te trouxesse? - perguntou ela.
- Queria que me trouxesse uma casa e uns Pais.
- E não querias antes que ele te trouxesse os teus Pais?
- Não. Se os meus Pais me deixaram atrás, não são os meus verdadeiros Pais. Se fossem tinham-me levado com eles, não é?
- Até um certo ponto tens razão Eleane, mas tens que pensar que, se calhar, foi para teu bem que te deixaram, não achas?
- Talvez, mas os meus verdadeiros Pais serão aqueles que me levarem para todo o lado onde forem.
Depressa chegou a noite de Natal. Todos andaram num virote o dia todo para o jantar sair uma coisa de luxo. Havia diversos doces, sobremesas, aperitivos e do bacalhau nem se fala. Só de pensar nele... estivessem lá que viam o que é que eu quero dizer.
Durante o jantar fartaram-se de rir. Via-se que havia alegria e felicidade naquela família...Oh! Desculpem, família por alguns dias, claro.
- Agora tenho que ir para a cama, não é Senhora Catarina. É para o Pai Natal me trazer uma prenda.
- É sim, Eleane. Pode ser que o Pai Natal te traga uma prenda diferente das que te tem trazido. Amanhã de manhã, quando te levantares, já deves ter qualquer coisa no sapatinho. - disse ela.
Naquela noite custou-lhes a adormecer. Talvez por ser véspera de Natal, talvez por...
- O que será que a Senhora Catarina e o Senhor Sérgio me vão oferecer? - pensou a pequena.
- Achas que ela vai gostar das prendas que lhe compramos? - perguntou o Sérgio.
- Acho que sim, pelo menos comprámos com gosto e sem olhar a preços. - respondeu a Catarina.
Ainda não eram sete da manhã, já a pequena batia à porta do quarto do casal.
- Senhora Catarina... Senhor Sérgio, posso ir ver o que é que o Pai Natal me trouxe? Posso? Prometo não estragar o presépio. - perguntou a pequena como se fosse uma coisa extraordinária. Como se nunca tivesse tido um Natal e aquele fosse o seu primeiro... e até de certo modo era-o.
(Continua)

sábado, janeiro 28, 2006

Eleane (em memória do meu passado) - 2º Capitulo



Trouxeram-lhes uma menina que aparentava ter 8 ou 9 anos no máximo. Tinha cabelos curtos e loiros, e olhos de um azul escuro. Vestido, trazia uma saia xadrez e uma blusa branca rendada no colarinho. Quando os viu, os seus pequenos olhos brilharam de alegria, mas ao mesmo tempo, apresentava uma expressão de desconfiança.
- Como é que te chamas, minha pequena? - perguntou a Senhora, que até então tinha estado calada.
- Eleane, minha senhora. - respondeu a pequena.
- Só Eleane?
- Só! Sabe, ela quando veio para cá tinha dois anos e os seus pais emigraram. A partir daí, nunca mais soubemos nada deles. Apenas que se chamava Eleane. - interpelou a Senhora da casa.
- É um nome bonito, sabias? - disse o Senhor.
- Dizem que é... - respondeu a pequena.
- E quantos anos tens?
- Tenho nove. – respondeu.
- Então já estás uma mulherzinha. - afirmou a Senhora.
A pequena riu-se da observação feita pela jovem senhora.
- Quando é que os Senhores pensam trazê-la de volta?
- Bem, se não houver problemas de maior, seria no dia 27. Acha bem?
- Não! Por mim não há problema! Apenas terá então que preencher alguns papeís, meras formalidades, como deve compreender.
Os dois dias seguintes passaram num abrir e fechar de olhos. Ele foi, passeios, diversões, brincadeiras, risos e muita conversa a mistura. Na rua quem olhasse para aquelas três pessoas diria sem hesitar:
- Olha para aquele casal feliz a passear com a sua filha. Até dá gosto ver uma família assim.
- Sabes Eleane, amanhã é a véspera de Natal! - exclamou a Senhora.
- Sei sim. Mas o que é a véspera de Natal? - perguntou a pequena.
- A véspera de Natal significa que no dia seguinte o Menino Jesus nasceu numa manjedoura em Belém e não num palácio. A família junta-se toda, faz-se um jantar especial onde se come coisas muito boas, e os mais pequenos como tu vão para a cama cedo, que é para o Pai Natal trazer muitas prendas. - respondeu ela.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Meu Porto de abrigo


Tantas chamadas que recebi
Tantas palpitações que senti
O Amor tem destas coisas
E nem é preciso sermos noivas

Livro pra traduzir
Escada de subir
Tantos queijos por correio
E noitadas pelo meio

Ramos de Rosas pla manhã
Na cama ou no divã
Web câmaras com sorrisos
Apesar de muitos avisos

Serões no serviço
Marido e filhos nem por isso
Desejos e tensões
Mais beijos e sensações

No telemóvel nomes típicos dos Açores
O baixo-ventre com arrepios e tremores
Controle remoto do computador
Talvez um Porche aí que dor

Cafés da manhã com ternura
Chamadas telefónicas com doçura
Tanto amor para lhe dar
Pedro contigo eu quero casar

27 de Janeiro de 2006

(pequeno poema feito em jeito de carolice, pensamentos perdidos onde a musica de fundo é a Ternura dos 40)


terça-feira, janeiro 24, 2006

Eleane (Em memória do meu passado)


Em 6 capitulos, por assim dizer, aqui irei por um conto escrito por mim em tempos idos...para variar.


Eleane
(Em memória do meu passado)

Eles tinham-se casado há bem pouco tempo. Cerca de um mês e meio. Devido à vida que ele tinha levado até então, achou que devia fazê-lo, e ela concordou.
Desde os seus 8 anos que tinha andado de casa em casa, sem lugar fixo onde ficar. Hoje em casa dos tios, amanhã em casa da madrinha..."Vivia" como se fosse uma bola de Ping-Pong, que é empurrada de um lado para outro.
Nunca tinha tido um Natal como sonhara. Não é que sonhasse com uma coisa fora do vulgar. Não! Coitado dele, sonhava apenas com um Natal em família. Um Natal em que sentisse Amor, Carinho, Ternura e Paz. Prendas? Isso era para ele supérfluo. Apenas o calor humano de uma família bastava-lhe.
Até se ter casado, esse sonho continuou isso mesmo, Um Sonho.
Sempre pensou que, se não se realizasse esse sonho para si, quando pudesse, torná-lo-ia verdadeiro para quem ainda fosse um sonho.
Ambos foram aquela pequena casa, onde muitas crianças sem família, pensavam como ele em tempos pensara: ter um Natal.
- Os Senhores, preferem menino ou menina? - perguntou a Senhora responsável por aquela casa.
- Tanto faz! - responderam.
- E têm preferência na idade? - insistiu de novo a Senhora.
- Dos 8 aos 10, isto se for possível.
- E posso saber o porquê? - perguntou-o com um ar desconfiado.
- Talvez, porque, nestas idades, os sonhos que têm começam aos poucos a desvanescerem, e a não acreditarem neles. Aos poucos vão-se tornando em pesadelos e começam a duvidar de tudo e de todos que os rodeia. Aos poucos fecham-se para o mundo. Compreende a Senhora onde eu quero chegar?
- O Senhor é que sabe! Eu cá por mim só não quero é que maltratem as minhas crianças, de resto... todos os que aqui vêm, lá têm as suas razões.
(continua)

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Sentimento sentido

Chora se te consola e acalma
Porque essas lágrimas
Vêm de dentro do teu Coração
Como a pureza dos sentimentos
Que tens pela pessoa que partiu

Chora tudo agora
Pelo corpo que aí está
Frente a ti
E que à terra irá ser depositado
E em pó se transformará

Essa dor que dentro de ti sentes
É um misto de tristeza profunda
E alegria imensa porque
À terra será apenas um aglomerado de células
Enquanto a Alma, essa, libertou-se e está junto de Deus

Lembra-te
Meu bom Amigo
Que a mortalidade do corpo
Contrasta com a imortalidade da essência
E apesar do corpo deixar de se ver
Sentirás sempre a presença dela no teu âmago

Com o tempo
Deixarás de sentir essa dor
Da separação forçada, dura e brutal
E passarás a sentir a presença
Afável, meiga e conselheira por vezes
Qual Anjo junto de ti.

11 de Janeiro de 2006
Para o meu Amigo Luís Nunes que está a passar uma fase menos boa.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Apenas um número



Para muitas pessoas, ingenuos talvez, trata-se apenas de um numero

Para outras pessoas, mais atrevidas, trata-se de uma posição sexual

Por fim, para as mais maduras e sensatas, trata-se apenas de uma maneira naif da apresentação do equilibrio espiritual e mental entre o bem e o mal, que se pode ver no seguinte simbolo, muito antigo por sinal:

quarta-feira, janeiro 04, 2006


A poesia
Está para os sonhadores
Como o beijo
Está para os amantes

terça-feira, janeiro 03, 2006

Laranjas


Os amigos
São como as laranjas
Uns têm e outros não…
Sumo

quinta-feira, dezembro 29, 2005

2006

Desejo um ano de 2006 cheio de tudo de bom para todos...inclusivé os outros.

terça-feira, dezembro 27, 2005

Templo do Senhor

Quando entro na tua casa
Senhor
Sinto uma enorme paz
Dentro de mim
Quais vasos sanguíneos
Que percorrem todo o meu ser


Quando na tua casa entro
Senhor meu Deus
Sinto os meus pecados
Mais recônditos
A virem ao de cima
Da imundície dos pensamentos
E serem purgados
Qual pecador assumindo a sua impureza

Quando entro na tua casa
Meu Deus e Senhor
Ouço as palavras que tens para nos dizer
E sinto-as no fundo do meu coração
Como se a mim
Fossem especialmente dirigidas
E por breves momentos
iluminam a minha essência

Quando aqui entro
E vejo o teu Filho
Ali
Pregado na cruz
Invade-me uma tristeza
Profunda por sinal
Por não ser capaz
De dar a outra face
Ou perdoar a quem me ofendeu

Quando entro aqui
Sinto-me renascido
Qual pedido de perdão
Em nome do pecado original,
Dos meus pensamentos
Palavras, actos e omissões
Aceite por ti sem duvida alguma
Apesar de todas as minhas incertezas
Meu Deus e Senhor.

27 de Dezembro de 2005

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Natal

A todos que por aqui passam
e deixam um pouco de si
os meus mais sinceros votos
de um Santo Natal
com Amor, Paz e Alegria
sem esquecer a Esperança
e a Fé num mundo melhor.

terça-feira, dezembro 20, 2005

L Á B I O S


Esses teus lábios carnudos
São como doces morangos
Colhidos pela frescura da manhã
Ávidos de serem levemente saboreados
Trincados e desejados
Por quem sabe apreciar um bom beijo

14 de Dezembro de 2005

quinta-feira, dezembro 15, 2005

N A T A L


Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.

Hoje é dia de Natal.

- Mas quando será de todos?

Sidónio Muralha
Obras Completas do PoetaLisboa, Universitária Editora, 2002

quarta-feira, dezembro 14, 2005

terça-feira, dezembro 13, 2005

A utopia do Amor

O Amor a eterna utopia do ser humano
que por vezes confunde Amor com Sexo
e nas entrelinhas da vida vai vivendo
em busca desse Santo Graal
quando por vezes está ali mesmo
lado a lado connosco
e nós cegos pelo modelo de beleza
nem reparamos que ela
a beleza
é tudo menos o exterior do ser humano

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Minha Vela



Este corpo mortal
Onde provisoriamente habita
A minha alma imortal
É como uma caravela
Em alto mar
Buscando novos mundos

Este corpo mortal
Qual caravela
No meio de ventos bonançosos
Onde o sol expande toda a sua luz
Ou no meio de severas tempestades
Onde as gotas parecem facas afiadas
Necessita de velas abertas ao vento

Este corpo mortal
Ao qual estou preso
Meu Deus e Senhor
Por vezes esquece-se
Do teu Filho Jesus
Meu irmão
Minha vela que faz andar
Esta caravela que é a minha Alma

terça-feira, dezembro 06, 2005

Desejos...

Se tu soubesses
Minha musa inspiradora
O quanto desejo
Ardentemente
Não duvides
Cobrir todo o teu corpo
De beijos e mais beijos
Como quem semeia
Um campo fértil
Á espera de ser banhado
Com frutos de mil cores.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Setimento maldito



O amor tem destas coisas
Amar-se tanto alguém
Que por vezes
Pensamos em morrer
Por Amor a esse alguém