quarta-feira, março 09, 2005


A todos os meus Amigos, virtuais que sejam, mas mesmo assim não deixam de o ser, informo que, por motivos de força maior, não serei tão regular como até agora. O trabalho assim o obriga, no entanto, tentarei visitar-vos a todos, sempre que possivel e aqui, também, sempre que possivel, deixar um pouco de mim. Posted by Hello

quinta-feira, março 03, 2005

Postal de Lisboa


É madrugada
O sol começa a acordar aos poucos
Uma gaivota paira no ar
Um cacilheiro atravessa o rio
em direcção à outra margem
Uma criança brinca com uma pedrinha sem forma
Um cego pede esmola enquanto toca desafinado um violino corroído pelo tempo
As pessoas como formigas andam sem destino
Os laranjas tal como latas de sardinha
vão carregados até mais não puderem


Meio dia
Hora de almoço
sandes, yogurtes versão lite
mini pratos
Comer em pé, a correr e sem sabor
Ciganos a tentar vender coisas fabulosas
a preços mini
Montras
Leitura das gordas dos jornais
Um cigarro na ponta da boca
Correria, tropeços, embates
Relógio de ponto


Seis horas
Fim de mais um dia de trabalho
Saída a correr
Filas e mais filas
Suspiros
Sovacos húmidos
Suor, transpiração
Pressão
Sacos com produtos essenciais
Hora e meia por 10 km
Crianças pela mão
Trabalhos de casa
Jantar
Banhos, televisão
Ausência de diálogo
Xixi cama


Noite
Bares, cafés, pubs, discotecas
Cinemas, teatros, estúdios
Taxis, carros suspeitos
Poucas pessoas na rua
Locais propícios a vícios e virtudes
Sem-abrigos num vão de escada


Madrugada
Casal Ventoso
Bairro Alto
Avenida da Liberdade
Prostitutas, travestis, proxenetas, pedófilos
Respiradouros do metro a cheirar a cola
Policias, ladrões e nem por isso
Sonhos cor de rosa outros sem qualquer cor

23 de Outubro de 2003
Posted by Hello

segunda-feira, fevereiro 28, 2005


Todos nós, por vezes pensamos ser o centro do mundo, no entanto, não passamos de pequenas ilhas, porto de abrigo talvez, para quem connosco se cruza. Posted by Hello

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

A pessoa errada (poema de Luís Fernando Verissimo) - Poeta Brasileiro

Pensando bem
Em tudo o que a gente vê, e vivência
E ouve e pensa
Não existe uma pessoa certa pra gente
Existe uma pessoa
Que se você for parar pra pensar
É, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa
Faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente tá precisando
das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia
sem te procurar
Que é pra na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira
A pessoa errada, é na verdade,
aquilo que a gente chama
de pessoa certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando
suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo
ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada
tem que aparecer pra todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo, é que temos que viver
Cada momento
Cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo,conseguindo
E só assim
É possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz:
"Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade
Tudo o que ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...

quarta-feira, fevereiro 16, 2005


É nesta Angra, do Heroísmo por decreto real, que me sinto realizado em todos os sentidos. É do meio deste Azul que respiro e me inspiro, que amo com paixão e desejo com ternura. É daqui, deste pedaço de terra à beira mar plantado que, nas noites de Lua Cheia com as estrelas por companhia, deixo a minha imaginação vaguear por mundos paralelos a este que não é meu. Posted by Hello

domingo, fevereiro 13, 2005

Para o dia 14 de Fevereiro


"Amar, não é olhar-se mutuamente, é olhar em conjunto, na mesma direcção." Posted by Hello

quinta-feira, fevereiro 10, 2005


(sem palavras) Posted by Hello

quarta-feira, fevereiro 09, 2005


É do meio da cruz das nossas vidas
que por vezes despontam rosas
pequenas que sejam mas não deixam de o ser...

e tal como elas, também nós
temos pétalas vermelhas
a correr nas nossas veias

e tal como elas, também nós
possuímos espinhos curtos mas afiados
dentro de nós

e tal como elas, também nós
um dia deixaremos cair as pétalas
perderemos os espinhos
e do meio da cruz que carregámos
daremos novas rosas ao mundo.
 Posted by Hello

sexta-feira, fevereiro 04, 2005


Com eu desejo
ardentemente
navegar nesse mar profundo
e arrefecer todo o meu ser
no meio do teu corpo.
 Posted by Hello

quinta-feira, fevereiro 03, 2005


Um dia perguntaste-me quem eu era, ao qual te respondi:
- Que importa quem eu sou se o que sinto por ti é mais forte?
Hoje, que já sabes quem eu sou, digo-te aqui:
- Sou quem querias que eu fosse e, tu és aquela que eu sempre amei.
 Posted by Hello

segunda-feira, janeiro 31, 2005

Utopia


No desejo de um pensamento
imagem tornada realidade
de uma utopia sonhada,
é nela que me vejo e sustento
talvez seja uma verdade
ou apenas uma ideia imaginada.

27 de Janeiro de 2005
 Posted by Hello

domingo, janeiro 30, 2005

Vambora - Letra de Adriana Calcanhotto



Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
P'ra mudar a minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas
 Posted by Hello

sexta-feira, janeiro 28, 2005

A Lua (dizem os ingleses) Poema de Fernando Pessoa

A LUA (dizem os ingleses)
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma idéia se perde.
E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De... não sei se é desejar.

Sim, todos os meus reveses
São de estar sentir pensando...
A Lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Borboleta

Esta noite
sonhei contigo
minha borboleta
que por sobre mim
voaste e poisaste
levemente

Esta noite
sonhei contigo
minha borboleta
corpos nús
entrelaçados com
as ondas do mar

Esta noite
sonhei contigo
minha borboleta
no meio das
areias finas
dessa praia deserta

Esta noite
sonhei contigo
minha borboleta
sem palavras nos amámos
com uma brisa quente
qual lençol de cetim

Esta noite
sonhei contigo
minha borboleta
voaste para longe
levando o pólen
da minha flor

Esta noite
sonhei
como sonho
outras noites
contigo
minha doce Borboleta.

23 de Janeiro de 2005

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Quase um poema de amor

Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
--- Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor

Miguel Torga

(Nesta altura em que se comemora Miguel Torga, não quis deixar de estar presente e, entre muitos, escolhi este.)

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Mera duvida laboral

Este meu pequeno poema, talvez não vos diga muita coisa, no contexto em que costumo escrever. É mais um desabafo mudo, uma raiva contida ou um mero deitar para o ar...mas deu-me gozo acreditem.



Mera duvida laboral


Neste terminus de longas amizades
não resisto à tentação
de aqui dizer algumas verdades
mas não pensem que é provocação.

Se estivermos a trabalhar
não é de bom tom estar a teclar,
no entanto se não teclarmos
é sinal de não trabalharmos.

Nessa duvida aqui lavrada
escrevi esta quadra
no horário de trabalho, pois então
atrasando o meu serviço, porque não?

E se a chefe algo disser
que direi eu para não ser mordido?
Apenas me ocorre dizer
- Estou há espera de ser promovido!


17 de Janeiro de 2005


quinta-feira, janeiro 13, 2005

O milagre da vida


Enquanto houver um ser humano em gestação, haverá sempre a esperança de um amanhã melhor para todos nós. Posted by Hello

terça-feira, janeiro 11, 2005

Poema sem nome

Quando te vejo
meu Amor
és como um beijo
sem pudor

És o Sol que me aquece
a Lua que me faz sonhar
e quando a noite desvanece
só o Amor tem lugar

Quando te desejo
minha Amada
nada mais vejo
que uma mulher adorada.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

Melancolia de um dia de chuva

Preciso
Preciso mesmo muito
de alguém com quem falar
Amo
amo mesmo muito
alguém que não sabe amar
Vivo
Vivo mesmo muito
uma vida que nada tem para dar
Chove
Chove mesmo muito
Quando será que vai parar?


6 Novembro de 1982

(Poema de uma Amiga minha...que ainda não conheci pessoalmente)

terça-feira, janeiro 04, 2005

Numa fracção de segundo

Fiquei frente a ti
a olhar-te
estátua inacabada
pedaço de basalto
toscamente talhado
por um par de escultores
sem formação mas com gosto.

Numa fracção de segundo...
desejei tocar nessas formas
rudemente trabalhadas
e em nada graciosas ou belas
mas que não deixam de ser formas.

Numa fracção de segundo...
por debaixo dessa cor vermelha
do vestido simples e singelo
dei-me conta dos contornos
das peças mais íntimas
que te tapam o pudor.

Numa fracção de segundo...
imaginei passar as minhas
mãos por essas pernas
docemente depiladas
começar nos pés e acabar
um pouco mais acima.

Numa fracção de segundo...
senti-te em cima de mim
de joelhos no sofá
e enquanto passava as minhas
mãos nas tuas pernas, tu...

Numa fracção de segundo...
tu ias acariciando o meu couro cabeludo
num beijo quente e lascivo
como se nunca tivesses
sido tocada, acariciada, beijada,
da maneira que sempre desejaste.

Numa fracção de segundo...
imaginei-nos num mundo
paralelo a este, onde esse segundo
seriam minutos...
longas horas.

Numa fracção de segundo...
pequei na minha imaginação
e pela boca fui preso...
pelo que te disse
e afinal...
"pela boca morre o peixe"
lá diz o ditado.

Numa fracção de segundo...
não sei se pela roupa
ou tão pouco pelo cheiro
se foi por causa do que não vi
ou se pela cor branca e pura
que sem malícia
deixaste antever
nessa fracção de segundo...
foi tempo de mais.