Fiquei frente a ti
a olhar-te
estátua inacabada
pedaço de basalto
toscamente talhado
por um par de escultores
sem formação mas com gosto.
Numa fracção de segundo...
desejei tocar nessas formas
rudemente trabalhadas
e em nada graciosas ou belas
mas que não deixam de ser formas.
Numa fracção de segundo...
por debaixo dessa cor vermelha
do vestido simples e singelo
dei-me conta dos contornos
das peças mais íntimas
que te tapam o pudor.
Numa fracção de segundo...
imaginei passar as minhas
mãos por essas pernas
docemente depiladas
começar nos pés e acabar
um pouco mais acima.
Numa fracção de segundo...
senti-te em cima de mim
de joelhos no sofá
e enquanto passava as minhas
mãos nas tuas pernas, tu...
Numa fracção de segundo...
tu ias acariciando o meu couro cabeludo
num beijo quente e lascivo
como se nunca tivesses
sido tocada, acariciada, beijada,
da maneira que sempre desejaste.
Numa fracção de segundo...
imaginei-nos num mundo
paralelo a este, onde esse segundo
seriam minutos...
longas horas.
Numa fracção de segundo...
pequei na minha imaginação
e pela boca fui preso...
pelo que te disse
e afinal...
"pela boca morre o peixe"
lá diz o ditado.
Numa fracção de segundo...
não sei se pela roupa
ou tão pouco pelo cheiro
se foi por causa do que não vi
ou se pela cor branca e pura
que sem malícia
deixaste antever
nessa fracção de segundo...
foi tempo de mais.
Aqui será a areia fina...a falésia...onde, entre voos, poisarei para descansar e meditar, depois voltar a voar entre o azul do mar e o azul do céu.
terça-feira, janeiro 04, 2005
terça-feira, dezembro 21, 2004
sexta-feira, dezembro 17, 2004

Tu
minha sereia encantada
desejo-te
como quem deseja
um morango reluzente
num Inverno gelado
Tu
minha sereia
que por ti encantado fiquei
és mais que um desejo desejado
de mar calmo
mar ardente
mar ausente
Tu
minha sereia sem o seres
paixão assolapada
com nome grego talvez
és aquilo que sempre desejei
fruto proibido quiçá
sem sequer te ter desejado.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
sexta-feira, dezembro 10, 2004
quinta-feira, dezembro 09, 2004
terça-feira, dezembro 07, 2004
segunda-feira, dezembro 06, 2004
sexta-feira, dezembro 03, 2004
quinta-feira, dezembro 02, 2004
terça-feira, novembro 30, 2004
domingo, novembro 28, 2004
Dimocracia ou democracia?
(sobre)Vivemos numa dimocracia
onde o simples facto de casar
já é um artigo de luxo
a ser inscrito nos impressos do IRS
(sobre)Vivemos numa dimocracia
onde ainda o útero materno
não passa de uma mistura
de desejos entre um homem e uma mulher
e já se gastam rios de dinheiro
em consultas, vitaminas e mais não sei o quê
(sobre)Vivemos numa dimocracia
onde ao fim de longos quatro meses
a peso de ouro (na grande maioria dos casos)
deixamos parte de nós
entregue a parte de vós (em que por vezes)
chegando ao fim do dia
somos recompensados com marcas visíveis
do excesso de vocação
(sobre)Vivemos numa dimocracia
num país de paradoxos
em que a democracia é jovem
mas o povo envelhecido
onde se gastam fortunas
em casais inférteis
com tantas crianças
há espera de um mero apelido
(sobre)Vivemos numa dimocracia
feita por políticos
com as trompas laqueadas
que culminam
em leis vasectómicas.
onde o simples facto de casar
já é um artigo de luxo
a ser inscrito nos impressos do IRS
(sobre)Vivemos numa dimocracia
onde ainda o útero materno
não passa de uma mistura
de desejos entre um homem e uma mulher
e já se gastam rios de dinheiro
em consultas, vitaminas e mais não sei o quê
(sobre)Vivemos numa dimocracia
onde ao fim de longos quatro meses
a peso de ouro (na grande maioria dos casos)
deixamos parte de nós
entregue a parte de vós (em que por vezes)
chegando ao fim do dia
somos recompensados com marcas visíveis
do excesso de vocação
(sobre)Vivemos numa dimocracia
num país de paradoxos
em que a democracia é jovem
mas o povo envelhecido
onde se gastam fortunas
em casais inférteis
com tantas crianças
há espera de um mero apelido
(sobre)Vivemos numa dimocracia
feita por políticos
com as trompas laqueadas
que culminam
em leis vasectómicas.
quarta-feira, novembro 24, 2004

No inicio...
caos sempre houve...
mas depois de muito caos...
a aparente ordem apareceu...
a ordem sem ordem...
o caos sem o ser...
Apareceste tu...
no meio da neblina matinal...
e como um raio de Sol no meio da noite celestial...
iluminaste o meu ser...
nesta janela virada para as estrelas...
nesta janela virada para o azul manso do mar...
que me embala no berço da vida.
Do centro do universo em que...
habita o meu coração...
tu, e só tu, fizeste sentir-me...
que afinal eu não era o único filho.
Fizeste-me sentir que afinal...
a minha mãe...sem te ter tido,
o meu pai...sem te ter concebido,
és minha irmã sem o seres,
amamo-nos como loucos
em qualquer parte
em parte incerta...
sem ser incesto.
No inicio....
bem, no inicio estamos nós...dois...e mais ninguém.
Por esta estrada fora,
por este oceano imenso,
por este espaço vazio cheio de estrelas,
iremos nos...passeando,
como quem está sentado num banco a beira mar
a contemplar as ondas no seu eterno vai e vem,
a sentir a erva a crescer,
e ouvir o silencio dos pensamentos.
segunda-feira, novembro 22, 2004
Deserto florido e fresco
Na minha vida anterior devo ter sido nómada ou eremita...
Ou então é o que deveria ter sido nesta e não sou...
Talvez na próxima o seja...não sei.
Uma coisa é certa...penso que essa é a minha vocação.
Ser um humano errante...
Solitário sem o ser...
Anacoreta sem ser religioso ou penitente...
Um mensageiro com algo para dizer...
Alguém que na devida altura teria uma palavra de conforto...
Não me sinto nenhum messias, nem seria isso que queria...
Apenas sinto...que se fosse só sem o ser, possivelmente seria mais...
sexta-feira, novembro 19, 2004
A Noite
A noite...
é minha confidente
minha companheira
e minha alma gémea.
À noite...
algo em mim se transforma
sou outra pessoa sendo a mesma
estou mais predisposto
mais sensível
mais nostálgico
mais carente
mais elevado em termos espirituais.
Nas noites quentes ou frias...
apetece-me escrever
apetece-me estar só, na companhia das estrelas e do tom escuro da própria noite
apetece-me ir ao encontro de mim mesmo, apesar de estar ali
apetece-me...algo
algo que ainda não descobri.
A noite transcende-me espiritualmente em todos os sentidos.
Não querendo exagerar...sinto que na Noite o meu Eu acorda, enquanto de dia está (estará) adormecido.
quarta-feira, novembro 17, 2004
Tu que partes sem partir
Tu que partes
mesmo sem partires
deixas algo de ti aqui
levas um pouco de nós
Saudade
palavra nossa
é aquilo que fica
nos nossos corações
Do teu jeito de ser
com palavras ditas de forma diferente
é nessa singularidade
que reside a tua simpatia
Das tuas palavras doces
aconchego da nossa alma
fica o teu olhar sereno
e o teu sorriso cor de mar
Partes sem partires
com a razão do teu lado
mas sentimos no intimo
que o coração aqui fica
Não chores com vontade
que é tua intenção
porque longe que estejas
estarás sempre ao nosso lado.
17 de Novembro de 2004
(Dedicado a uma Amiga que amanhã irá para outro serviço, provisóriamente é certo)
mesmo sem partires
deixas algo de ti aqui
levas um pouco de nós
Saudade
palavra nossa
é aquilo que fica
nos nossos corações
Do teu jeito de ser
com palavras ditas de forma diferente
é nessa singularidade
que reside a tua simpatia
Das tuas palavras doces
aconchego da nossa alma
fica o teu olhar sereno
e o teu sorriso cor de mar
Partes sem partires
com a razão do teu lado
mas sentimos no intimo
que o coração aqui fica
Não chores com vontade
que é tua intenção
porque longe que estejas
estarás sempre ao nosso lado.
17 de Novembro de 2004
(Dedicado a uma Amiga que amanhã irá para outro serviço, provisóriamente é certo)
terça-feira, novembro 16, 2004
Pai
(Fábio Júnior)
Pai, pode ser que daqui há algum tempo,
haja tempo pra gente ser mais, muito
mais que dois grandes amigos...pai e filho, talvez...
Pai, pode ser que daí você sinta qualquer coisa
entre esses vinte ou trinta longos anos em busca de paz...
Pai, pode crer eu estou bem, eu vou indo,
estou tentando, vivendo e pedindo,
com loucura pra você, renascer...
Pai, eu não faço questão de ser tudo.
Só não quero e não vou ficar mudo,
pra falar de amor pra você...
Pai, senta aqui que o jantar tá na mesa,
fala um pouco, tua voz tá tão presa,
me ensina esse jogo da vida,
onde a vida só paga pra ver
Pai, me perdoa essa insegurança,
é que eu não sou mais aquela criança
que um dia morrendo de medo
nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu
Pai, eu cresci e não houve outro jeito,
quero só recostar no seu peito
pra pedir pra você ir lá em casa
e brincar de vovô
com meu filho no tapete da sala de estar
Pai, você foi meu herói, meu bandido,
hoje é mais, muito mais que um amigo,
nem você, nem ninguém está sozinho...
Você faz parte deste caminho, que hoje
eu sigo em paz... Pai, pai, pai...
(Dedicado ao meu Pai, esteja onde estiver)
domingo, novembro 14, 2004
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