quarta-feira, agosto 04, 2004


Nesse teu corpo trabalhado a pormenor escondes no meio de ti a origem da vida, tal como a água que te cobre por fora, no meio desse oceano em que te banhas. Posted by Hello

quinta-feira, julho 29, 2004


Não sei como dizer, não sei como escrever mas...vou levantar voo para outras paragens, mais quentes por certo. Apenas alguns dias de descanso e repouso em outras areias, outras águas, outros mares. Talvez de lá, seja onde for, possa mandar alguns sentimentos. A todos que por aqui passam desejo um excelente mês de Agosto. Posted by Hello

quarta-feira, julho 28, 2004

Fábula da ilha

Um bando de gaivotas em liturgia de abandono
orienta marinheiros de ignorância e cachimbo.

(o barco da cruz gramada;  os pés da bússola ruindo
a mosca henriquina emigrada em sono).

na baía incendiada  o grito do sossego partilha
âncoras de fundo e fumo com peixes e hortelã.

não era indício de oiro  nem esfinge de sereia  nem
vagabundo do sonho num deserto de cetim.   era ilha!

(nas suas entranhas com vómitos de lava
sentia-se crescer a lascívia do povoamento).

----------------------------------------------------------------
ainda hoje se ouve a angústia do vento
percorrer as coordenadas do povo no mapa.

Álamo de Oliveira - Setembro de 1973

terça-feira, julho 27, 2004


É pena o ser humano não ser como esta fotografia...aquilo que faz e diz, por vezes, não ser igual ao que pensa e sente. Posted by Hello

segunda-feira, julho 26, 2004

Pensamento a reter

"Cabe-nos a nós enquanto indivíduos fazer o que estiver ao nosso alcance, por pouco que seja. Apesar de parecer inútil apagar a luz ao sair da sala, isso não é razão para não o fazermos"
(o 14º Dalai Lama - lider religioso)

sábado, julho 24, 2004

Uma pequena lágrima

Uma pequena lágrima
rolou pelo meu rosto abaixo

Uma pequena lágrima
sem cor ou cheiro
rolou pelo meu rosto abaixo

Uma pequena lágrima
sem cor ou cheiro
credo ou religião
rolou pelo meu rosto abaixo

Uma pequena lágrima
sem cor ou cheiro
credo ou religião
singela e pura
rolou pelo meu rosto abaixo

Uma pequena lágrima
rolou pelo meu rosto abaixo
em direcção ao vazio
do oceano de lágrimas
existentes no meu Coração

Uma pequena lágrima
lágrima tão pequena
que não se vê
mas que se sente
rolou pelo meu rosto abaixo
tocou no infinito
da foz do rio
existente na minha alma

Uma pequena lágrima
mas tão grande de sentimentos
e tão simples de pensamentos
rolou pelo meu rosto abaixo
misturou-se no universo
de outras tantas lágrimas
da nascente do rio
do meu mais intimo ser

Uma pequena lágrima
rolou pelo meu rosto abaixo
por todos os seres vivos
que lamentavelmente não vivem
mas apenas sobrevivem
neste mundo que tanto tem para dar
e tão poucos tem acesso a essa dádiva

Uma pequena lágrima
rolou pelo meu rosto abaixo

sexta-feira, julho 23, 2004


Portugal...sim este país à beira mar hoje veste-se de luto. Este PEQUENO pais ficou mais pobre no campo das artes.Aqui, poderão ouvir excertos de duas composições deste GRANDE artista que foi Carlos Paredes. Posted by Hello

quarta-feira, julho 21, 2004

Seagull nebula


Existindo uma nebulosa que dá por este nome, tudo no universo é possivel, basta sonhar... Posted by Hello

terça-feira, julho 20, 2004

Pensamento


As perguntas mais simples são as mais profundas.
 
Onde nasceste?
Onde moras?
Aonde vais?
Que fazes?
 
Pensa nelas de vez em quando e verás como as tuas respostas mudam. (Richard Bach)

(Foto de Fátima Condeço) Posted by Hello


A beleza do Alaska não se consegue descrever com palavras, apenas se sente com a alma.
Se tiveres alguns minutos, senta-te confortavelmente, liga o som (não muito alto), relaxa e sente nas imagens, aquilo que não consigo passar a escrito. Posted by Hello



segunda-feira, julho 19, 2004


"Quando sou, por assim dizer, absolutamente eu mesmo - completamente só e de bom humor; é nessas ocasiões que as minhas ideias fluem melhor e mais abundantemente".
(Wolfgang Amadeus Mozart) Posted by Hello

domingo, julho 18, 2004


Farol

Voa
Esvoaça
Plana
Paira no ar
percorre este mundo de lês a lês
de Norte a Sul
Este a Oeste

Voa
Esvoaça
Plana
Paira no ar
corta as correntes que te prendem
as asas a esse corpo

Voa
Esvoaça
Plana
Paira no ar
esquece que existes como pessoa
abre as asas e lança-te
desse morro
penhasco
ou falésia

Voa
Esvoaça
Plana
Paira no ar
até aquele ponto onde o céu e o mar
se confundem
se cruzem
se unem

Voa
Esvoaça
Plana
Paira no ar
percorre todo o teu ser
em busca do Santo Graal
da molécula mais finita
da tua existência

Vai
Voa
Esvoaça
Plana
Paira no ar
que Eu
estarei sempre aqui
para te guiar
e indicar o caminho
de regresso ao local
da partida.
 
Um pequeno poema sonhado ao ver esta foto de Marilia Campos
 Posted by Hello

quinta-feira, julho 15, 2004

Um pequeno tributo a Emanuel Félix


AS RAPARIGAS LÁ DE CASA

Como eu amei as raparigas lá de casa

discretas fabricantes da penumbra
guardavam o meu sono como se guardassem
o meu sonho
repetiam comigo as primeiras palavras
como se repetissem os meus versos
povoavam o silêncio da casa
anulando o chão os pés as portas por onde
saíam
deixando sempre um rastro de hortelã
traziam a manhã
cada manhã
o cheiro do pão fresco da humidade da terra
do leite acabado de ordenhar

(se voltassem a passar todas juntas agora
veríeis como ficava no ar o odor doce e materno
das manadas quando passam)

aproximavam-se as raparigas lá de casa
e eu escutava a inquieta maresia
dos seus corpos
umas vezes duros e frios como seixos
outras vezes tépidos como o interior dos frutos
no outono
penteavam-me
e as suas mãos eram leves e frescas como as folhas
na primavera

não me lembro da cor dos olhos quando olhava
os olhos das raparigas lá de casa
mas sei que era neles que se acendia
o sol
ou se agitava a superfície dos lagos
do jardim com lagos a que me levavam de mãos dadas
as raparigas lá de casa
que tinham namorados e com eles
traíam
a nossa indefinível cumplicidade

eu perdoava sempre e ainda agora perdoo
às raparigas lá de casa
porque sabia e sei que apenas o faziam
por ser esse o lado mau de sua inexplicável bondade
o vício da virtude da sua imensa ternura
da ternura inefável do meu primeiro amor
do meu amor pelas raparigas lá de casa

Emanuel Felix
Habitação das Chuvas (1997)

 Posted by Hello

quarta-feira, julho 14, 2004

Falavam-me de Amor

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

Natália Correia
O Dilúvio e a Pomba
Lisboa, Publicações D. Quixote, 1979

terça-feira, julho 13, 2004


Quem poderá ficar indiferente a uma imagem como esta, onde a presença de um anjo ilumina a escuridão das nossas almas? Posted by Hello

domingo, julho 11, 2004

Um País de Poetas

Neste País à beira mar plantado, constacto com alguma alegria que, ao ler diversos sites pessoais (alguns blogs também) que raro é aquele que não tem um pequeno poema, seja do próprio, de terceiros ou de algum Poeta famoso. Pequenos, medios e grandes.
É bonito ver isto, que afinal, neste pequeno pedaço de terra, todos nós temos um pouco de poesia dentro de nós, um pouco de nós dentro da poesia.
Que melhor poema para descrever este sentimento que nós temos dentro de nós que não o que abaixo transcrevo, de uma POETA que leio e releio vezes sem fim...

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

sexta-feira, julho 09, 2004


Nestas circunferências delineadas no meio do nada, de uma pedra lançada no meio do mar límpido e puro, qual óvulo fecundado por um entre milhões, estão contidas mais historias do que a própria História que julgamos conhecer sobre nós. Posted by Hello

quinta-feira, julho 08, 2004

Ondas (versão final)

Oh...
como eu desejo
navegar nas ondas
do teu corpo

Subir ao cume
do teu peito
descer ao centro
do teu universo
cascata de água pura
escondida no meio
de uma floresta virgem

Sentir na minha boca
o sabor adocicado
dos teus lábios
o sabor salgado
do teu baixo ventre
perdido por entre
os lençóis de cetim
que te cobrem

Selar os teus gemidos
com os meus
numa prolongada
troca de fluidos hormonais,
sentimentos,
sensações e emoções,
enquanto os nossos corpos
seriam apenas um só



Oh...
como eu desejo
navegar nas ondas
do teu corpo
e no crepúsculo da noite
amarar a ti
até há alvorada
do êxtase final.

quarta-feira, julho 07, 2004

Ondas


Oh...
como eu desejo
navegar nas ondas
do teu corpo

Subir ao cume
do teu peito
descer ao centro
do teu universo
cascata de água pura
escondida no meio
de uma floresta virgem

Sentir na minha boca
o sabor adocicado
dos teus lábios
o sabor salgado
do teu baixo ventre
perdido por entre
os lençóis de cetim
que te cobrem

Oh...
como eu desejo
navegar nas ondas
do teu corpo. Posted by Hello

terça-feira, julho 06, 2004


Uma pequena e simples flor, onde as cores se misturam com o cheiro a sensações, sentimentos e emoções, onde afinal...de pequenez só mesmo a nossa visão deturpada, deformada que temos do mundo que nos rodeia. Posted by Hello

segunda-feira, julho 05, 2004


Aqui onde a Terra acaba e começa o finito do espaço infinito que nos rodeia;
onde o sol brilha eternamente numa noite sem fim;
em que pequenos pontos piscam incessantemente, como que a chamar-nos;
situa-se um local belo, paradisíaco até...
onde o Homem se encontra com Deus e se entrelaça a mortalidade com a imortalidade por uma breve fracção de segundo, o bastante para... Posted by Hello

Um pequeno tributo a Sophia

Pirata
Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.

Sophia de Mello Breyner

sexta-feira, julho 02, 2004


Estaremos sempre presos a este azul profundo que nos rodeia como se nós (meros mortais), fossemos um feto ligados por um cordão umbinical ao ser que nos gerou...a mãe natureza. Posted by Hello

quinta-feira, julho 01, 2004

Pensamento a reter

"Não há passageiros na nave espacial Terra. Somos todos tripulação" (Marshall McLuhan- sociólogo)

Como eu gostaria de partir numa noite de lua cheia por esse mar fora, em direcção a parte alguma, sem destino marcado. Embarcar no silêncio da alma com as ondas como companhia, e as estrelas por guias. Contemplar a imensidão do espaço profundo, como profundo é o mar, como profundos são os sentimentos contemplativos. Posted by Hello

terça-feira, junho 29, 2004

Sentimento sentido

Sei que
sinto
um sentimento
sentido

Um sentimento
sincero
sem sombra
de sofrimento

Sinto que sinto
uma sensação
simples
quase serviçal

No entanto
de simplicidade
nada tem
aquilo que
por ti sinto

Do meu
sentimentalismo
tu sabiamente
sabes como
me saciar
com a tua sabedoria
ou o teu sabor

Contigo
todo o meu saber
torna-se numa sensibilidade
sensual, salutar
sobrenatural simplesmente

São sensações
sentidas
no silêncio que
talvez levem
à salvação do
sagrado da minha essência.

segunda-feira, junho 28, 2004


Algures no meio de uma tempestade solar, um bando voa em direcção ao seu destino. Eu? Sou um deles, não importa qual, importa sim é também ir, ao encontro de nós. Posted by Hello

Provérbio Árabe

"O escravo é um homem livre, se comanda os seus apetites;
O homem livre é um escravo, se lhes obedece para correr atrás do prazer."

São poucas palavras é certo, mas muito para se pensar sobre elas.

Divagações

Porque será que ocorrem tantas guerras em nome da Paz?
Porque será que existem tantas crianças sem pais, afecto e amor?
Porquê a violência doméstica, o abuso sexual de menores, os rostos tapados?
Porquê a fome, miséria, tristeza, os muito pobres num lado e os muito ricos no outro?

Este pequeno grão de areia Azul, cada vez mais cinzento...qualquer dia acorda da sua aparente sonolência e revolta-se contra tudo isto e...voltaremos a um novo ciclo de Paz, Harmonia e Amor, como em tempos perdidos no tempo existiu.

sexta-feira, junho 25, 2004


Afinal...não passamos de uma mera esfera azul no meio deste oceano sem cor a que chamamos de sistema solar. Posted by Hello

Pensamento para reflectir

"Todo o vosso corpo, não é mais do que o vosso próprio pensamento, numa forma que podem ver. Quebrem as correntes do pensamento e conseguirão quebrar as correntes do corpo..."

Richard Bach

quarta-feira, junho 23, 2004


Tenho uma Dalmata e sempre gostei de gatos mas...os dois juntos... Posted by Hello

Anjos...

Olho para o contador e gosto de considerar que quem por aqui passa é um anjo, principalmente quem passa e nada diz. No entanto, apesar de nada dizer, fica sempre a sua visita, por isso eu achar que foi um anjo que por aqui passou e sem nada dizer, algo foi dito e muito ficou por dizer.

segunda-feira, junho 21, 2004


Uma bela e indefesa Rosa no meio do azul dos pingos de chuva. Posted by Hello

Não sei...

Tu
és o Alfa e o Omega
da minha existência
luz que me aconchega de dia
estrela que me embala de noite

Na imensidão do universo
percorro a tua via láctea
por todos os pontos cardeais
em busca do meu sossego

Encontro-te para lá do infinito
num porto à beira mar plantado
por entre areias vulcânicas
coberto de água límpida

Estás sozinha
a água salgada que te envolve
e o calor que te cobre
mas não estás só
na minha ausência
sentes que estou presente

Se eu pudesse aí estar
ao pé de ti
apenas sentir as tuas mãos
nas minhas
sentir o teu corpo
encostado ao meu

Não sei porque me desassossegas
porque sinto este nó na garganta ao ouvir a tua voz
ou porque fico sem palavras ao ver o teu rosto
não sei...

sexta-feira, junho 18, 2004

Alma de criança

Gota de água
Chuva
Mar
Marés
Marinheiros
Barcos
Caravelas
Peixes
Moluscos
Mamíferos
Anfíbios
Areias finas
Seixos roliços
Piratas
Donzelas
Sol
Nuvens
Noite
Dia

Tudo isto se pode ver
tudo isto se pode ouvir
tudo isto (e muito mais) se pode sentir
se tiveres a coragem
de voltares a ter
alma de criança
sonhar
imaginar
acreditar
e pegares num indefeso
e pequeno búzio
um ser perdido no tempo
e o encostares meigamente
ao ouvido e escutares.

quinta-feira, junho 17, 2004

O valor de um sorriso

Um sorriso não custa nada e cria muito...
Dura um só momento, mas a sua lembrança perdura por toda uma vida...
Não se pode comprá-lo, pedi-lo emprestado ou roubá-lo...

E não tem utilidade enquanto não é dado!
Por isso, se no teu caminho encontrares alguém cansado demais para dar um sorriso, deixa-lhe o teu, com optimismo...
Pois ninguém precisa tanto de um sorriso quanto aquele que não tem mais sorrisos para oferecer...
E já agora? Vamos sorrir um pouco?

(autor desconhecido)

quarta-feira, junho 16, 2004

Pensamento

Semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás a acção; semeia a acção e colherás um hábito; semeia o hábito e colherás o carácter.

(Tihamer Toth)

terça-feira, junho 15, 2004

O que é um verdadeiro Amigo

Disse um soldado ao seu comandante:
-"O meu amigo não voltou do campo de batalha. Meu comandante, solicito autorização para ir buscá-lo."
Respondeu o oficial:
-"Autorização negada!" "Não quero que você arrisque a vida por um homem que, provavelmente, está morto!"
O soldado ignorando a proibição saiu e uma hora mais tarde voltou mortalmente ferido, transportando o cadáver do seu amigo.
O oficial estava furioso:
-"Eu não lhe disse que ele estava morto?!"
-"Diga - me, valia a pena ir até lá para trazer um cadáver?"
E o soldado, moribundo, respondeu:
-"Claro que sim, meu comandante!
Quando o encontrei, ele ainda estava vivo e disse-me:
- Tinha a certeza que virias!"
"Um amigo é aquele que chega quando todos já se foram."

(autor desconhecido)

segunda-feira, junho 14, 2004

O Beijo

Nesta noite
noite de chuva
pingos como espinhos
pensei num beijo

Não um beijo qualquer
mas O Beijo
o beijo que não chegou a ser
o beijo que quase foi dado

Pensei no beijo
no beijo que não foi dado
mas que talvez quiséssemos dar
ou talvez não

Pensei no beijo
fechei os olhos e senti o ligeiro
beijo da tua boca no canto
do meu lábio

Pensei no beijo
do sabor que poderia ter sentido e não senti
do toque que poderia ter tido e não tive

Pensei no beijo
imaginei-o noutro local
noutra circunstancia
noutro contexto
mas em ti

Pensei no beijo
nesta noite
noite de chuva
pingos como espinhos
rosas como tu

sábado, junho 12, 2004

A Portuguesa

Neste minuto que antecede o inicio do Euro 2004 ocorreu-me o patriotismo...

"Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há - de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!"

Agora vamos ver até onde chegaremos.

sexta-feira, junho 11, 2004

Tempo

No tempo
em que o tempo
não era tempo
existiu um tempo
em que o tempo não existia.

Nesse tempo
sem tempo
onde o Nada era Absoluto
e o Tudo a Perfeição
houve um tempo
onde o tempo foi gerado.

Nesse tempo
sem tempo
numa fracção centesimal de tempo
o tempo fez-se Luz.

Neste tempo
já com tempo
contado ao milésimo do tempo
andamos à procura de tempo
(como neófito atrás do saber)
para descobrir (quem sabe),
o que é realmente o tempo.

quarta-feira, junho 09, 2004

Um simples pensamento

Quem por mim passa...
deixa sempre um pouco de si
leva sempre um pouco de mim.

terça-feira, junho 08, 2004

Gota de Sangue

Gota de sangue
Fonte da vida
Balança em permanente equilíbrio
entre o nascer e o morrer
Génese do Ser
Código imortal

Gota de sangue
que percorres
um mundo submerso
por rios microscópicos
levando a vida
a todas as partes
da tua Atlântida

Gota de sangue...
Ainda que sejas
o Gene da Vida
há quem faça de ti
o Genocídio do Homem.

domingo, junho 06, 2004

Pensamento

Há certas horas que não precisamos de uma paixão desmedida, não queremos beijos na boca e nem corpos a se encontrarem na maciez de uma cama. Há certas horas que só queremos um abraço apertado. Há certas horas que desejamos a presença amiga, alguém que ria das nossas piadas sem graça... Alguém que apenas nos diga: Amo-te!!!

quinta-feira, junho 03, 2004

Amor - palavra escrita com 2 consoantes

Lá no fundo dos teus olhos
imersos na retina transparente
mergulhados no teu rosto
vejo...

Imagens a passarem constantemente
vezes sem conta
vezes sem fim
aos poucos...

Ganham vida própria
luz e cor
forma e sexo
vêm...

Ideias à memória
pela frente
dos teus pensamentos
sentimentos de...

Amizade
paixão
ou Amor?

terça-feira, junho 01, 2004

Ilha de Bruma

Neste meu pequeno barco,
feito de madeira e pouco mais,
navego ao teu encontro,
neste mar azul, coberto
por um manto de nevoeiro branco e espesso.

Olho para cima e vejo a Lua
redonda e branca com um
olhar belo e sorridente.

Só vejo esse lado que me mostras.
O outro, escuro e sombrio,
só no futuro será possível ver o que esconde.

Já não é a primeira vez
que vou ao teu encontro.

Lembras-te quando me procuraste?
Estava eu no meu castelo das Cinco Torres,
e tu mandaste as tuas Pesarosas
ao meu encontro.

Terá sido obra do acaso ou do destino?
Tal como quando retirei a Excalibur da Pedra,
quero acreditar que foi obras do destino
e não premeditado.
Tal como o sobrinho de Carlos Magno
quando com a Durindana trespassou
uma pedra, ou trespassará?
Não importa!

Também tu me trespassaste
com as tuas palavras.
Nos teus pergaminhos de três linhas,
nem Merlin conseguiu alcançar
o significado das palavras que me dizias.

Como hoje, muitas vezes fui ao teu encontro
para contigo falar de tudo e falar de nada.

Que me perdoe a minha Dama e Senhora Guinevere,
mas só tu, por vezes, alcanças
o significado das minhas palavras.

Tal como eu te sirvo honradamente
com a minha Espada,
tu me confias os teus segredos,
até ao dia que não mais quiseres.

Estás longe, eu sei.
Mas aos poucos,
neste mar calmo e sereno,
lá vou chegar.

Quando deixo o meu castelo,
atravesso uma Pequena Ribeira,
onde nas margens vivem alguns súbditos,
segundo me dizem, um pouco soberbos.
Porque me lembrei disto agora?
Nem eu sei o que me passa
pela cabeça neste momento,
que navego em direcção a ti.

Honro a minha Dama e Senhora,
e tu a quem honrarás?
Tenho o anel do Poder
que me foi posto com o Coração.
Não, não sou o Senhor dos Anéis,
nem o Dragão que guarda a Torre
onde está guardada a Dama
Pura e Bela, para o Escolhido,
nem o Messias que tanto esperam.

Vou a caminho de ti, mais uma vez,
para, mais uma vez,
depois voltar ao meu castelo,
depois de repousar no teu regaço,
depois de saciar o meu ser,
a minha alma, a minha essência,
na tua areia branca, pura e cristalina.

Depois de, a custo, talvez como uma prova,
desbravar, novamente, a erva daninha
que te cobre e entrar por ti adentro,
percorrer todos os teus montes e vales,
rios e cascatas,
e chegar ao ventre de ti,
a esse local escuro e húmido,
iluminado pela graça de Deus,
com uma luz que cega os que não vêem.

Neste meu pequeno barco,
feito de madeira e pouco mais,
navego ao teu encontro,
neste mar azul coberto pela
noite escura e negra.

Mas que importa que
os meus olhos não te vejam?
Importa o que o meu coração vê;
importa o que ao longe tu vês,
dentro de mim.
Não importa quem sou ou o que sou.

No meu pequeno barco
de madeira e pouco mais,
ao longe estou.

Mas hoje vou aportar e ficar,
até que o meu povo precise novamente de mim,
como precisa de D. Sebastião,
...minha Ilha de Bruma,
...minha Avalon.

Simplesmente...
Artur.

Ilhéus

Uma Ilha, segundo os dicionários, é uma porção de terra rodeada de mar por todos os lados.
Um arquipélago é um conjunto de várias ilhas. Até aqui tudo bem.
Eu sou ilhéu ou insular como queiram chamar-me. Sou daquelas pessoas que vive rodeado de mar por todos os lados e a ilha em que resido faz parte de um arquipélago mas...

Quem não é ilhéu? Quem não vive numa Ilha?

Afinal se repararmos no mapa desde pedaço de Terra, até os continentes, gigantes por certo, não passam de meras ilhas já que estão, também eles, rodeados por mar por todos os lados.
Afinal se reparamos neste nosso planeta azul profundo, também ele não passa de um mero arquipélago...à deriva neste sistema solar, fazendo parte de outro maior, mais profundo.

Por isso ilhéu, não sou só eu, por viver numa Ilha, mas sim, todos nós.

quinta-feira, maio 27, 2004


Um simples olhar (foto inspiradora) Posted by Hello

Um simples Olhar

Olho para ti
e vejo-te para lá
de ti
do infinito
do teu olhar

Por detrás dessa mão
de dedos esguios
e perfeitos
vejo a perfeição
na linha da vida

Lábios curtos
sequiosos por um beijo
O Beijo adormecido
despertador de
sentidos e sentimentos
desejos e paixões

O ar que respiras
é incolor e puro
como puro é
o local por onde
inspiras
por onde
expiras.

O teu olhar
no infinito da existência
da existência finita
de um mar azul
e profundo,
de um céu
azul sem cor,
deixa-me...

Esse teu olhar
jovem e sem idade
de pensamentos
e esperanças mil
deixa-me...

Olhar sensual
simpático
misterioso
atraente e envolvente
deixa-me...
sem palavras ou fala
sem sensações ou sentidos
para poder descrever tudo,
tudo o que no fundo do teu olhar
me transmite sem me transmitires,
que afinal não passa
de um grão de areia minúsculo
onde está contida
toda a profundidade do universo infinito.

27 de Maio de 2004

Pequenas palavras para descrever a grandeza da foto acima, gentilmente cedida pela amiga Marilia, que mesmo não a conhecendo, parece que a conheço desde sempre. Para ela um beijo de simpatia e amizade.

quarta-feira, maio 26, 2004


Amigos Posted by Hello

EXTREME vão tocar na Ilha do Corvo

"Os Extreme, a banda do terceirense Nuno Bettencourt, vai reunir-se em Agosto para efectuar um concerto integrado na primeira edição do Festival dos Moinhos, que terá lugar na ilha do Corvo.
A banda, que alcançou sucesso em todo mundo com o tema “More Than Words” (primeiro lugar do top de singles dos Estados Unidos), separou-se em 1996, após nove anos de actividade.
O vocalista Gary Cherone foi para os Van Halen (de onde saiu entretanto) e Nuno Bettencourt apostou numa carreira a solo e com a banda Mouring Widows.
Vão estar na ilha do Corvo Gary Cherone, Nuno Bettencourt, Pat Badger e Paul Geary, os quatro elementos da formação original dos Extreme.
O Festival dos Moinhos terá lugar a 13, 14 e 15 de Agosto e a organização do evento espera atrair à mais pequena ilha do arquipélago cerca de mil visitantes.
Para além dos Extreme, estão já confirmadas para cartaz do Festival dos Moinhos as bandas The New Princess (França), Jindungo (banda que acompanha Jorge Palma), Pedro Camilo e o grupo piocense Why Not Band." Fonte - Diário Insular de 26 de Maio de 2004.

Até que enfim que alguém se lembra que esta ilha, a ilha do Corvo, com pouco mais de 200 habitantes, Portugal mais a ocidente da Europa, mesmo que apenas seja para dar música. Será que num futuro se tornará um Vilar de Mouros?

Divagações musicais

Gosto de quase todo o tipo de música, até das baladas dos grupos de Heavy Metal que, lamentavelmente, a outra música destes grupos não entram nos meus ouvidos. Não porque não possa prestar, mas sim, porque eu não sei apreciar.
Desde que me lembro, sempre ouvi música clássica. Desde que me lembro como pessoa que, para estudar, meditar, pensar ou, simplesmente ouvir, que a música clássica é a primeira a ser chamada.
Gosto do género Celta, Meditação ou New Age. Pop, rock, e outros também ouço, que se note mas...
Para mim a música Clássica é intemporal, sem tempo na historia já que corre pela historia toda. Desde Mozart, por exemplo, corro quase todos os compositores conhecidos e menos conhecidos.
Árias, óperas, concertos, requiems, marchas, isto entre outros estilos, que este nome se pode aplicar, tudo serve para ouvir e relaxar...quase tudo.

Introdução talvez grande demais para falar na música que acabei de ouvir. Acabei de ouvir Beethoven, mais propriamente “Funeral March” e, por incrível que pareça fez parte da banda sonora de um filme de ficção cientifica, género que sou adepto, mas sobre isso falarei noutra altura. Como diz o nome é uma marcha funerária mas, poderá servir para tal situação é claro mas, também para o sentido oposto, o do nascimento.
Do nascimento da vida de uma criança, de uma planta ou animal. Tal como com o Inverno onde a “morte” acontece na natureza, também com a Primavera há o renascimento da mesma e assim considero esta música. O renascimento de algo, mesmo que seja só dentro de nós.
Os primeiros acordes doces e ternos, como se abríssemos os olhos pela primeira vez frente à luz, à luz da vida. De seguida, a melodia cresce, aumenta o ritmo ordeiramente, ordenadamente, como se fossemos uma criança em direcção à adolescência, à maturidade e depois à maior idade, com tudo o que acontece nestas fases. Dúvidas, receios, anseios. Alegrias, risos e sorrisos.
Num golpe de génio, como génio era este grande compositor, passa pela fase adulta, por toda a fase adulta, com os prós e contras inerentes a este estatuto social...até à velhice...da idade.
Acaba...acaba quase como começou, com os acordes doces, suaves e ternos, como se a “morte” fosse isso mesmo, uma paz de espirito, doce entrega, suave embalo e terna ida, seja para onde for essa ida.
Comovi-me, como sempre, quando estou predisposto para ouvir este tipo de música que, quase a chamaria de sagrada.

Entretanto no Windows Media Player está a tocar “Moonlight Sonata” de Mozart. Uma composição soberba, melancólica mas também calma e relaxante só de piano e em diversos andamentos, mas dessa composição e outras, falarei noutra altura, tal como do meu género de filmes.

segunda-feira, maio 24, 2004


Vertigem Azul... Á dias revi este filme, a versão longa. Não difere muito da versão original, apenas tem mais alguns minutos de filme.
Sempre gostei deste filme, desde que o vi pela primeira vez, lá pelo ano de 1988.
A banda sonora é divinal, é de Eric Serra. A música inicial, com a voz dos golfinhos em fundo dão um ar de...calma profunda.
O mergulho em apneia sempre me fascinou. Aquela sensação do encontro com o mar, um mundo em que nós gostariamos de ter nascido, pelo menos eu gostaria. O ficarmos sem respirar por algum tempo, em troca de algum prazer, introspecção, relaxamento, de encontro com o mar e aproximação aos nossos limites. Gostava de saber nadar para depois, aprender a mergulhar e no fim, o mergulho em apneia.
Um filme onde o mar e os golfinhos são os principais actores, onde o homem é secundário, sendo apenas um...essencial para a historia. Um homem que afinal não passa de um golfinho com corpo humano.
A cor, a fotografia, a historia, tudo isto faz com que este filme seja um filme intemporal, um filme sem tempo.
Um filme que revi e gostei. Aconselho a que goste do mar, de golfinhos e da interligação entre o homem e o animal, a amizade, a empatia entre dois seres diferentes mas, também semelhantes.
 Posted by Hello

sexta-feira, maio 21, 2004

Memórias

Almoço na cantina da escola onde a minha cara metade trabalha.
Chamo-lhe de cara metade porque sem ela faltar-me-ia alguma coisa, talvez a outra metade de mim. Cara metade porque os dois somos como um só...e por aí diante, mas não é sobre isso que aqui estou.
Estou aqui, porque almocei na cantina de uma escola, como disse.

Memórias, lembranças, saudades (palavra nossa, tipicamente portuguesa), mil e uma coisa me vieram à lembrança, aos locais mais recônditos da minha mente onde, pensava já estarem gravadas essas imagens.
O barulho, típico por sinal, o cheiro a comida, as mochilas, livros, cadernos, tudo espalhado por sobre as mesas. As filas á espera da vez para levar a sua dose, as trocas de comida ou de fruta, tudo isso me fez recordar tempos idos, tempos em que eu também fui como eles, aluno, irreverente ou certinho, quem sabe? Quem se lembra?
Recordei-me de quando em grupo, lá íamos para a cantina comer com amigos e amigas, a fila interminável, e enquanto se esperava, falava-se deste e daquele professor, desta e daquela matéria, mais fácil ou mais difícil e deste(a) ou daquele(a) rapaz/rapariga. No meu caso era mais das raparigas...obviamente.
Lembrei-me dos beijos fortuitos que dava a uma, em especial, não na cara mas no canto do lábio, afinal...naquela altura, naquela época, apesar de já haver na algumas liberdades, não eram como agora que, a meu ver, já pecam por exagero mas isso, é a minha opinião. Aquele sabor doce do canto da sua boca era como se não estivesse ali, naquele momento. Não me recordo do seu nome, nem tão pouco do que é feito dela mas, neste momento ainda a consigo ver, a sorrir para mim, com aquele ar ternurento que ela tinha, ar de menina pura e sem malícia.
Chamar-se-ia Luisa ou Joana? Ana, talvez! Não, não me consigo lembrar do nome dela, mas consigo quase que vê-la, encostada a mim, aninhada a meu lado, promessas para um lado e para o outro, apenas promessas lançadas ao vento.
Os barulhos, os ruídos, o cheiro da cantina, fizeram-me voltar à realidade, esta realidade onde estou...ao pé da minha cara metade que adoro, que amo.

Um pouco de mim... Posted by Hello

quinta-feira, maio 20, 2004

Calma, paz profunda e tranquilidade

Hoje estou assim, calmo, com uma grande paz, tranquilidade, apesar do "caos" à minha volta. Não sei se será porque me sinto a voar por entre o azul do céu ou o azul do mar ou se será por me sentir bem comigo mesmo. Que importa?
Importa sim este estado de espirito, esta tranquilidade que, quase me faz sentir estar na Lua a olhar para este pedaço de azul no meio da noite eterna e, no entanto voo apenas por cima das nuvens, acima da mesquinhez dos homens e das restantes gaivotas que, apenas vivem para comer.

Azul

Vamos tentar por...um pouco mais de azul..nas nossas vidas, cinzentas por vezes.

Voar...

Gostava de poder voar, pairar no céu, flutuar por entre as nuvens brancas de algodão.
Ser um pássaro de ferro ou uma máquina de carne e osso.
Uma Andorinha na Primavera, um Condor pairando por sobre os Andes ou um mero Beija-flor tocando ao de leve nas flores mais raras e mais doces.
Também não me importava de ser um planador nas correntes de ar quente, um balão por sobre as montanhas verdejantes deste pais à beira mar plantado ou, uma asa delta por vales verdes e profundos.
Quem sabe, ser um anjo. Um anjo que além de voar, também anda no meio dos humanos, incapazes de o ver por serem “imperfeitos”, protegendo o seu protegido, desde o nascer do sol até a aurora da sua vida.
Gostava de poder voar livremente pelo céu azul, por entre as ondas do mar...apenas isso.

quarta-feira, maio 19, 2004

Animais

Para quem gosta de animais, da natureza, aqui está um autêntico Zoo de letras.

Verdades ou contradições?

Seremos uma realidade ou uma mera ficção, um sonho de outro alguém que não nosso?
Haverá um outro mundo, o mundo do além, limpo e puro ou, aquela luz ao fundo do túnel que muitos dizem ver, não passa de uma mera ilusão criada pelos nossos neurónios?
Haverá o bem e no seu oposto o mal, ou isto será uma mera criação do Homem?
Qual o propósito desta vida, para além da procriação e da satisfação dos nossos desejos?
Existirá o destino ou, o destino somos nós que o fazemos?
Mundos paralelos, vidas paralelas, opções a tomar em prol duma certeza incerta, será isso o efeito Borboleta?
Anjos ou Diabos, existirão realmente ou, as igrejas criaram-nos para nos fazerem ver que não passamos de meros mortais ainda que, de uma perspectiva diferente imortais?
Aqui ficam algumas das minhas verdades ou serão, as minhas contradições?

terça-feira, maio 18, 2004

Um simples iogurte

No meio do caos no local de trabalho em que me encontro, no meio de papel e mais papel, telefonemas, chamadas, o entre e sai de gente chata, os pedidos Superiores...
...consegui um tempo para mim, para o meu bem estar, a minha auto-estima, paz e sossego, ainda que por breves minutos.
Minutos que pareceram horas, enquanto saboreava um iogurte cremoso, sedoso e envolvente.
Agora até pareceu um daqueles anúncios em que quando estão a comer um, reina a paz, o sossego, a calma à volta. Acho que vou dar a mão à palmatória, afinal, foi assim que me senti.

Pequenos prazeres...

segunda-feira, maio 17, 2004

Taça de Portugal

Não sou apreciador de futebol e, quando dá, salvo raras excepções, mudo de canal. Já lá vai o tempo em que tínhamos que ver aquele único canal que existia.
Tal como um professora de físico-química que tive quando andava na escola secundária, não sei qual a piada de ver 22 homens em cuecas atrás de uma bola. Mas também poderão dizer o mesmo de mim, que gosto de ver uma boa corrida de Formula 1, qual a piada de ver n carros a darem voltas e mais voltas numa pista...
Só gostava de jogar futebol, pelos milhões de euros que eles ganham anualmente, nada mais que isso e, por ser considerava uma profissão de desgaste rápido, ou seja, reformam-se na flor da idade.

Aliás, se pensarmos bem, existem muitos outros TRABALHOS que poderiam ser considerados como tal. Estou a lembrar-me de quem trabalha em escolas. Não só os professores mas, também os auxiliares de acção educativa. Aturar centenas, para não dizer milhares (dependendo da escola) de crianças, muitas delas, rebeldes, insatisfeitas, de zonas “problemáticas” é dose. Mas existem outros trabalhos, os quais, neste momento não me recordo...podia dizer o meu...que também considero como tal mas...

Independentemente de, se foi bem ou mal ganha a Taça de Portugal pelo Benfica, já que há sempre quem critique, confesso que gostei de ter sido o Benfica a ganhar e eu, não sou simpatizante deste clube, sou mais para o Verde esperança. Porquê?
Talvez tenha sido o meu lado alfacinha a vir ao de cima, o meu lado bairrista, o meu lado adormecido à cerca de 15 anos desde que aqui estou, quase tantos como os de Lisboa.

Amigas ou Colegas?

No passado Sábado fui trabalhar. Era Sábado e todos os meus colegas, quase todos melhor dizendo, ficaram nas suas casas.
Eu e mais 3 colegas fomos trabalhar...por amor à camisola obviamente, neste época de contenção de despesas públicas.
Não que tivesse ido com muita vontade, é certo mas, também elas devem ter ido com a mesma vontade. O que nos salva, para além da fé, é o facto de sermos uma Secção onde reina a paz, a calma aparente e o bom ambiente entre colegas, coisa que nos dias que correm não é fácil num serviço público.
Na grande maioria dos locais de trabalho públicos, reina o disse que disse, os mexericos, os enredos para entalar o colega, o subir na carreira a troco de graxa e lambe botas, enfim, reina tudo menos o que devia reinar, afinal, é no trabalho que passamos a maior parte da vida, já que em casa é, quase só o ir dormir e pouco mais.
No local onde trabalho o bom ambiente já existiu mais, mas de quem terá sido a culpa? Minha? Das outras? Talvez de todos um pouco, talvez por coisas que nem nós sabemos dizer. No entanto, ainda somos uma secção unida onde, por vezes fazemos almoços em grupo, onde nos aniversários de cada um, há sempre uma pequena lembrança a dar ou receber, conforme o caso. Uma secção onde, quando cometemos um pequeno erro, a culpa não é deste ou daquele, É DE NÓS, a secção. E isto e bom, apenas por isso é que hoje fui trabalhar para tentarmos por o serviço mais em dia, aliás, se trabalhássemos fora de horas, tipo anuncio da Vodafone de 3 geração, depois do horário normal, as coisas andariam mais em dia. Ele é o telefone de minuto a minuto, as pessoas a tentarem resolver os seus problemas mas, têm que contar a historia da sua vida toda para percebermos, os pedidos dos chefes, as urgências para se fazer determinado oficio, que afinal, depois de feito, deixa de ser urgente.
Sábado em apenas pouco mais de 3 horas, conseguimos fazer mais do que num dia normal de trabalho, se bem que não tenha sido o suficiente mas, já foi melhor do que nada.
O que nos vale é termos a “certeza” de em breve recebermos uma medalha...de sabão ou de cartão, sem duvida alguma mas, no entanto, ficámos de consciência tranquila de que tentámos fazer o melhor que pudemos e humanamente possível.

1...6

Ás vezes penso “porque não me sai o totoloto?”
Já jogo desde que este jogo começou, à cerca de 18 anos, mais coisa menos coisa. Todas as semanas lá estou, quase que religiosamente, a registar o meu, á espera de ser essa semana a tal.
Já se passaram estes anos todos e, nada. Até mesmo um 3 é quase impossível sair e, quando saí, nem sequer dá para um café...curto.
Sai a tanta gente centenas de contos, milhares nos dias que correm e a mim...
Não digo que queria que saísse 500 mil contos, falando ainda em escudos, mas se saísse também não os ia deitar fora. Digo que, se me saísse apenas o suficiente para pagar a minha casa, já me sentia rico, a sério que sim.
Até no pedir um pobre é isso mesmo, pobre. Que importa?
Com o meu vencimento e o da minha mulher já dava para fazer uma vida desafogada, sem receio de “será que vai chegar ao fim do mês?”.
É um pedido de pobre, como sou, obviamente mas, um pedido tão simples, no meio de tanta gente que tem milhões, no meio de tanta gente que anseia por um cheque milionário e, mesmo assim, ainda não foi desta, acho eu. Talvez hoje tenha a sorte de ver os meus números sair, afinal, estão lá todos.
Não me importava que fosse a dividir por várias pessoas, a sério que não, desde que a minha parte fosse, o suficiente para não me preocupar todos os meses com as mesmas coisas, a prestação da casa, o pagamento da água, da luz, do telefone, do ATL do meu filho, etc, etc.
No meio deste meu desabafo, sei que existem pessoas piores do que eu, pessoas que nem casa têm, pessoas que não têm saúde, pessoas que não têm que comer, pessoas em que a sua vida é quase de sobrevivência diária.
Por isso, entre outras razões, é que me sentiria rico só com o suficiente...para viver esta vida que é tão efémera.
Porque não me saí o totoloto, apenas o quanto baste?

sexta-feira, maio 14, 2004

Comentários

Como disse no meu post de apresentação, não queria ter comentários a este meu diário, por achar que tirava a essência, a alma do mesmo.
No entanto, agora, alguns dias depois, constacto que, mesmo vindo a haver comentários, favoráveis ou não, a essência do mesmo continuará a existir, isto é, continuarei a escrever aquilo que quiser, independentemente do que digam. Continuarei a "divagar" pelos meus pensamentos, passados, presentes ou futuros.
É claro que vou ler atentamente os comentários que eventualmente venham a surgir, no entanto, não irão alterar assim tanto, aquilo que penso ou, melhor dizendo, aquilo que aqui escreverei.
Posto este dito por não dito, aqui, neste post, começará uma nova fase, ainda que a pessoa seja a mesma, eu...Fernão Capelo Gaivota.

quinta-feira, maio 13, 2004

12 de Maio...

Ontem, terça-feira dia 12 de Maio. Dia da procissão de velas do culto Mariano. Véspera da aparição de Maria aos 3 pastorinhos.
Ontem as velas foram por um ser humano, uma pessoa como eu, como nós, que foi macabramente assassinada...decapitada por extremistas.
Seja de que raça for, credo, cor ou convicção política, nada justifica o que se viu, o que vejo na minha mente vezes sem conta.

Quais terão sido as sensações, sentimentos ou emoções que naquela fracção de segundo sentiu?
Sensações naquela altura, poucas ou nenhumas.
Sentimentos, muitos de certeza. Deve ter visto toda a sua vida num abrir e fechar de olhos. Bons momentos, quase de certeza. Do nascimento até aquele minuto derradeiro.
Emoções...emoções...emoções, deve ter sentido, mais que não fosse, naquele momento em que sentiu o gume gelado da espada encostado ao pescoço quente, do sangue que corria nas sua veias.

Faz-me pensar...que afinal as imagens que têm corrido mundo, sobre atrocidades cometidas aos prisioneiros iraquianos, não passam de meras brincadeiras de crianças...ao pé destas imagens frias e desumanas que todos nós assistimos.
Leva-me a pensar que o pior ainda não chegou a acontecer, ou seja, aquele sentimento quase animal que dá pelo nome de Vingança. A vingança que os Americanos irão cometer, em nome do seu povo, do seu credo, da sua cor...fria, sem cor ou rosto. Agora, e não sendo eu pessimista, irá assistir-se a um agravar das atrocidades entre seres humanos, entre iraquianos e americanos, entre cristãos e muçulmanos.

Para aquele ser humano, deve ter sido uma fracção de segundo comparável a horas...
Choro por “ele” e por todos “eles” que são assassinados sem dó nem piedade.

quarta-feira, maio 12, 2004

De...pressão

À pouco cruzei-me com uma amiga.
Estava mais magra, com um ar pesado no seu rosto e os olhos cansados.
Ela é que me chamou, porque eu ia á frente dela a ver montras, na minha hora de almoço...já que o tempo estava convidativo a passeios.
Perguntei-lhe como é que ela ia, ao qual me respondeu que estava de atestado.
Lembrei-me que tinha tido um filho à poucos meses e, como tal, deveria estar de atestado por isso, engano meu.
Estava de atestado por estar com uma grande depressão. Tinha ido à farmácia comprar alguns medicamentos que não tinha, que tinham acabado.
Fiquei com pena dela mas, de repente lembrei-me de mim, de quando também eu tive uma depressão. Nestas ocasiões, não se deve ter pena da pessoa mas sim, ajudá-la a olhar para o sol, no meio da escuridão onde se encontra.
Engraçado que quando alguém fala nisso, quem está de roda fica logo com “cara de parvo”, sem saber o que dizer, sem saber o que fazer, murmurando palavras sem nexo, por vezes, do género, isso vai passar.
Nestas alturas, digo eu que já passei por tal situação, deve-se é, dar animo, força de vontade, dizer para ir à luta, não pensar nos problemas mas sim nas soluções, passear...muito. Apanhar ar e sol...quanto baste. Espairecer...
O mais importante, para ela, seria ter alguém com quem falar, com quem desabafar, já que segundo ela, não tinha “ninguém” com quem fazer isso.
Apesar de saber que ela tem o meu número de telefone, apesar de saber que ela sabe onde moro, dei-lhe a dica de hoje ou amanhã aparecer lá por minha casa, que precisava de falar com ela por causa do seu serviço mas, na altura estava com pressa para entrar ao serviço e, o que era, não era algo profundo, apenas meras duvidas.
Vi no seu rosto um ligeiro sorriso, talvez de agradecimento, digo eu, mas um sorriso sincero e profundo, como se já há algum tempo não o fizesse assim, espontâneo.
Como disse, já estive lá no fundo da escuridão e custou-me olhar de novo para cima, para a luz que me cegava mas...com força, esperança e apoio, consegui chegar onde agora estou e, também é esse o meu desejo para quem está lá...no fundo e, se é uma pessoa amiga, ainda mais temos vontade de ajudar.
Enquanto escrevia isto, ligou-me a dizer se podia ir lá a casa logo à noite...apenas conversar...
Percebi a pergunta e ela, pelos vistos também percebeu a mão que lhe estendi minutos antes.
Espero que ela recupere, a sério que sim. Precisa, não só por 3 filhos que tem, como também, merecer.
Talvez “amanhã” já esteve melhor...

terça-feira, maio 11, 2004

A casa do Martins

Mais uma vez falo dos meus amigos, para quem ás vezes se queixa de falta de amigos, por vezes, sem nos falarem, lembram-se de nós.
Desta feita porque, como fiz anos à dias atrás, no mês passado mais precisamente, mandou-me 2 cd`s.
Um dos eternos U2, um grupo da minha época, da minha geração e que me influenciou bastante, mesmo sem saber em quê. Gosto de ouvi-los, as músicas, as letras e, também recebi um “Best Off” dos Housemartins e, como diria esse Amigo, a Casa do Martins, a minha casa por sinal.
Tudo isto porque me apeteceu falar neste segundo grupo, já que o primeiro estaria para aqui a falar até ao dia de amanhã e, como ia dizendo este último, um grupo irreverente mas também simpático. Com músicas engraçadas e letras a condizer.
Adoro particularmente aquele música que dá pelo nome de Caravan of Love. Uma música bastante calma com uma letra simpática, tipo anos 60...Paz e Amor...fez-me recordar coisas bonitas, coisas boas.
Bem, apeteceu-me falar neste grupo, apenas a propósito deste cd, que coisa estranha esta.