Nesta noite
quase de Lua Cheia
por debaixo deste
tecto escuro e colorido
sinto-me
uma Gaivota
ou um pássaro livre.
Todo o meu ser voa nesta sala
como se parte de mim
estivesse a pairar sobre
e a outra parte não.
Na leveza do espírito
e na simplicidade da alma
por momentos
fui o anjo de mim mesmo,
via e sentia o que ele
já sabia.
De olhos semicerrados
saboreei um prato raro
com especiarias já extintas
acompanhado de um néctar divino
envelhecido ao longo
dos tempos já esquecidos.
Nesta noite
quase de Lua Cheia
vejo milhares de pontinhos brancos
centenas de estrelas cadentes
dezenas de cometas,
mas nesta noite,
apenas se vê
um pequeno grão
de luz multicolor muito raro
que no silêncio da noite
sem que ninguém se aperceba
atravessa esta sala.
Letra a letra
palavra a palavra
ia nascendo,
aos poucos é certo,
poemas complexos
cheios de simplicidade,
eu pairando por sobre mim
ia assistindo a este nascimento
e ao mesmo tempo
cheirando os aromas das notas
que ao acaso iam
acompanhando este
parto indolor.
Os lábios que brotavam
esta melodiosa
harmonia conjugal
não eram de uma simples mortal,
eram de uma Deusa,
de uma alma que já atingiu a perfeição
e mesmo assim,
voltou para cantar e encantar
quem debaixo deste tecto se encontrava.
Os dedos simples e esguios
que ao de leve tocavam as cordas
eram deles que vinha
o som embalante e sensual,
as cordas eram um mero artificio
de quem toca sem precisar de tocar.
O meu Coração
foi pequeno demais
para absorver naquele momento
tanto romantismo
tanta pureza
tanto amor
Por debaixo deste tecto escuro
as luzes apagaram-se de vez.
O pequeno grão
de luz multicolor muito raro
como chegou, assim partiu
mas deixou lembranças
em quem estava e ficou.
Nos trocadilhos ditos e não ditos
sentidos e não falados
plantou a mensagem que trazia.
Quem a captou sentirá o que sinto,
um sentimento misto
de felicidade e paixão.
Felicidade por agora saber
que não estou só
onde quer que eu esteja,
paixão por ter aprendido a amar
as coisas mais simples da vida
como uma nota de música
ou uma simples palavra,
tal como a sensação de ser,
por breves momentos,
anjo de mim mesmo.
Agora que deixei de pairar
por sobre mim
e sou uno nesta minha dualidade
sinto uma sensação
de paz profunda
uma calma angelical
que absorve todos os meus sentidos.
Por momentos estive
onde queria estar
e nunca estive,
por momentos senti-me etéreo
por momentos...
foi mais que meia hora.
Agora,
segundos passados,
depois de preliminares sentidos
sinto-me quase que a cometer
um adultério sem o ser,
uma sensação de prazer estonteante
que culminou num clímax
de sentidos indescritíveis.
16 de Junho de 2003
Aqui será a areia fina...a falésia...onde, entre voos, poisarei para descansar e meditar, depois voltar a voar entre o azul do mar e o azul do céu.
quinta-feira, setembro 02, 2004
quarta-feira, setembro 01, 2004
terça-feira, agosto 31, 2004
Estou como esta foto (bonita por sinal). Depois de um excelente mês de férias em que o Sol brilhou, amanhã recomeço a trabalhar. Não que não goste do que faço mas, quem não gostava de não ter que trabalhar por obrigação ou por falta de dinheiro?
terça-feira, agosto 24, 2004
domingo, agosto 22, 2004
Procuro...
uma amiga.
Não uma qualquer, das poucas que tenho, mas sim uma especial, não tivesse sido ela a primeira Amiga que tive.
Deve andar na casa dos trinta, talvez mais perto dos quarenta. Penso que deve ser casada e talvez tenha filhos...penso.
Sei que tem um curso superior, porque há cerca de 15 anos encontrei uma senhora que me disse que ela estava na Universidade e se bem a conhecia, chegou ao fim.
Dá pelo nome próprio de Maria João...um nome comum naquela altura. Refiro-me á cerca de trinta e poucos anos, naturalmente.
Também sei que nessa altura morada para ao lados do Restelo, em Lisboa ou, pelo menos era na piscina do Restelo que andava a ter aulas de natação, já que os pais ,naquela época, eram de posses..
Só mais um dado concreto, a sua avó (paterna ou materna não sei) morada em Alcântara, na Rua dos Lusiadas, n.º 3, Lisboa.
Sei que é procurar uma agulha num palheiro, pode morar aqui, alí ou acolá, e até no outro lado do mundo, mas mesmo assim aqui fica o meu anúncio, quem sabe...não vá ela aparecer...
A que souber do seu paradeiro, ofereço a minha eterna simpatia e gratidão.
Já agora, procuro-a porque gostava de saber como ela está, agora quase 30 anos passados, afinal...foi a minha primeira amiga.
sexta-feira, agosto 20, 2004
quarta-feira, agosto 18, 2004
Eterna espera
segunda-feira, agosto 16, 2004
Neblina do Horizonte
Há dias recebi num meu email esta tela da Isabel Magalhães. Na altura, tal como agora, gostei imenso...
talvez pelo Azul...
talvez pela simetria...
talvez por outra coisa qualquer, no entanto...
No entanto apesar de ser uma obra...prima, tia, sobrinha ou cunhada, conforme queiram, não gostei muito do nome que a artista lhe deu...Neblina (até agora)! Ao primeiro olhar até parece, mas eu, gosto de olhar para uma tela, uma foto ou outra obra de arte, com um olhar subjectivo, ver para além daquilo que ali está, para além do nome que por vezes é imposto, e como tal, num momento em que o sono aperta mas outro eu desperta, aqui vão as minhas palavras sobre o que senti ao ver esta tela.
Neblina do Horizonte
Neblina lhe chamaste
a mais esta tua filha
que pariste dos teus pincéis
por sobre uma marquesa de linho
sem cor ou respiração no primeiro sopro de vida
Nessa tua relação de
desejo e paixão
numa noite de amor e prazer
concebeste-a sem dor
frustração ou culpa
Desse teu corpo nú
tal como a tela branca
que encheste de luz e alegria
houve pinturas, riscos e rabiscos
esboços e traços bem delineados como o teu ser
Neblina lhe chamaste
a mais esta tua filha sem pai
e eu poeta como me chamam
sem o ser adoptei-a como se minha fosse
com o apelido de Horizonte.
16 de Agosto de 2004
sexta-feira, agosto 13, 2004
Tributo aos meus AMIGOS
Hoje não vou escrever palavras sentidas ao sabor de uma foto, uma imagem ou algo mais.
Hoje não vou por escritos de minha autoria ou poemas de poetas com um P grande.
Hoje não vou tirar excertos de livros que leio.
Hoje...
Simplesmente apetece-me aqui e agora, fazer a devida homenagem aos meus Grandes Amigos de infância os quais, ainda hoje, continuamos a sê-lo, o que não é fácil se atendermos às famílias, trabalhos e a distância geográfica que nos separa.
São daqueles Amigos em quem podemos confiar a própria vida, em que pudemos falar sobre tudo e sobre nada, sem qualquer receio...são Amigos para toda a vida, seja longa ou curta.
Aqui vos apresento estes três estarolas (foto tirada há cerca de 2 décadas), os quais, tirando a minha família de sangue, são membros da minha família por afinidade, são meus irmãos sem o serem.
Um grande bem haja para eles aqui e agora.
quarta-feira, agosto 11, 2004
Passagem de um Diário
"Existe um planeta onde os seres têm dois buracos. A um chamam eles superior. Ao outro, inferior. Aqui está o absurdo dos habitantes deste planeta, já que pelo primeiro ingerem cadáveres de animais, legumes e frutos cujos resíduos, triturados por um aparelho que tem o nome de digestivo, expelem pelo último. Isto é: consideram superior a fenda que repletam de porcaria e inferior o orifício que dessa lama os alivia. Mas são assim. Trocam tudo."
Eis as palavras com que Natália Correia, num dia de Fevereiro de 1975, abriu o Diário e algo mais, que começara na madrugada de 25 de Abril de 1974 e viria a encerrar a 20 de Dezembro de 1975. Passado o entusiasmo da primeira hora, a perplexidade perante o rumo da «revolução» e a vontade compulsiva de actuar levavam-na, agora, a clamar e a esforçar-se por mostrar a perversão dos caminhos: trocam tudo.
Eis as palavras com que Natália Correia, num dia de Fevereiro de 1975, abriu o Diário e algo mais, que começara na madrugada de 25 de Abril de 1974 e viria a encerrar a 20 de Dezembro de 1975. Passado o entusiasmo da primeira hora, a perplexidade perante o rumo da «revolução» e a vontade compulsiva de actuar levavam-na, agora, a clamar e a esforçar-se por mostrar a perversão dos caminhos: trocam tudo.
segunda-feira, agosto 09, 2004
quarta-feira, agosto 04, 2004
quinta-feira, julho 29, 2004

Não sei como dizer, não sei como escrever mas...vou levantar voo para outras paragens, mais quentes por certo. Apenas alguns dias de descanso e repouso em outras areias, outras águas, outros mares. Talvez de lá, seja onde for, possa mandar alguns sentimentos. A todos que por aqui passam desejo um excelente mês de Agosto.
quarta-feira, julho 28, 2004
Fábula da ilha
Um bando de gaivotas em liturgia de abandono
orienta marinheiros de ignorância e cachimbo.
(o barco da cruz gramada; os pés da bússola ruindo
a mosca henriquina emigrada em sono).
na baía incendiada o grito do sossego partilha
âncoras de fundo e fumo com peixes e hortelã.
não era indício de oiro nem esfinge de sereia nem
vagabundo do sonho num deserto de cetim. era ilha!
(nas suas entranhas com vómitos de lava
sentia-se crescer a lascívia do povoamento).
----------------------------------------------------------------
ainda hoje se ouve a angústia do vento
percorrer as coordenadas do povo no mapa.
Álamo de Oliveira - Setembro de 1973
orienta marinheiros de ignorância e cachimbo.
(o barco da cruz gramada; os pés da bússola ruindo
a mosca henriquina emigrada em sono).
na baía incendiada o grito do sossego partilha
âncoras de fundo e fumo com peixes e hortelã.
não era indício de oiro nem esfinge de sereia nem
vagabundo do sonho num deserto de cetim. era ilha!
(nas suas entranhas com vómitos de lava
sentia-se crescer a lascívia do povoamento).
----------------------------------------------------------------
ainda hoje se ouve a angústia do vento
percorrer as coordenadas do povo no mapa.
Álamo de Oliveira - Setembro de 1973
terça-feira, julho 27, 2004
segunda-feira, julho 26, 2004
Pensamento a reter
"Cabe-nos a nós enquanto indivíduos fazer o que estiver ao nosso alcance, por pouco que seja. Apesar de parecer inútil apagar a luz ao sair da sala, isso não é razão para não o fazermos"
(o 14º Dalai Lama - lider religioso)
(o 14º Dalai Lama - lider religioso)
sábado, julho 24, 2004
Uma pequena lágrima
Uma pequena lágrima
rolou pelo meu rosto abaixo
Uma pequena lágrima
sem cor ou cheiro
rolou pelo meu rosto abaixo
Uma pequena lágrima
sem cor ou cheiro
credo ou religião
rolou pelo meu rosto abaixo
Uma pequena lágrima
sem cor ou cheiro
credo ou religião
singela e pura
rolou pelo meu rosto abaixo
Uma pequena lágrima
rolou pelo meu rosto abaixo
em direcção ao vazio
do oceano de lágrimas
existentes no meu Coração
Uma pequena lágrima
lágrima tão pequena
que não se vê
mas que se sente
rolou pelo meu rosto abaixo
tocou no infinito
da foz do rio
existente na minha alma
Uma pequena lágrima
mas tão grande de sentimentos
e tão simples de pensamentos
rolou pelo meu rosto abaixo
misturou-se no universo
de outras tantas lágrimas
da nascente do rio
do meu mais intimo ser
Uma pequena lágrima
rolou pelo meu rosto abaixo
por todos os seres vivos
que lamentavelmente não vivem
mas apenas sobrevivem
neste mundo que tanto tem para dar
e tão poucos tem acesso a essa dádiva
Uma pequena lágrima
rolou pelo meu rosto abaixo
rolou pelo meu rosto abaixo
Uma pequena lágrima
sem cor ou cheiro
rolou pelo meu rosto abaixo
Uma pequena lágrima
sem cor ou cheiro
credo ou religião
rolou pelo meu rosto abaixo
Uma pequena lágrima
sem cor ou cheiro
credo ou religião
singela e pura
rolou pelo meu rosto abaixo
Uma pequena lágrima
rolou pelo meu rosto abaixo
em direcção ao vazio
do oceano de lágrimas
existentes no meu Coração
Uma pequena lágrima
lágrima tão pequena
que não se vê
mas que se sente
rolou pelo meu rosto abaixo
tocou no infinito
da foz do rio
existente na minha alma
Uma pequena lágrima
mas tão grande de sentimentos
e tão simples de pensamentos
rolou pelo meu rosto abaixo
misturou-se no universo
de outras tantas lágrimas
da nascente do rio
do meu mais intimo ser
Uma pequena lágrima
rolou pelo meu rosto abaixo
por todos os seres vivos
que lamentavelmente não vivem
mas apenas sobrevivem
neste mundo que tanto tem para dar
e tão poucos tem acesso a essa dádiva
Uma pequena lágrima
rolou pelo meu rosto abaixo
sexta-feira, julho 23, 2004

Portugal...sim este país à beira mar hoje veste-se de luto. Este PEQUENO pais ficou mais pobre no campo das artes.Aqui, poderão ouvir excertos de duas composições deste GRANDE artista que foi Carlos Paredes.
quarta-feira, julho 21, 2004
Subscrever:
Mensagens (Atom)








