segunda-feira, junho 21, 2004

Não sei...

Tu
és o Alfa e o Omega
da minha existência
luz que me aconchega de dia
estrela que me embala de noite

Na imensidão do universo
percorro a tua via láctea
por todos os pontos cardeais
em busca do meu sossego

Encontro-te para lá do infinito
num porto à beira mar plantado
por entre areias vulcânicas
coberto de água límpida

Estás sozinha
a água salgada que te envolve
e o calor que te cobre
mas não estás só
na minha ausência
sentes que estou presente

Se eu pudesse aí estar
ao pé de ti
apenas sentir as tuas mãos
nas minhas
sentir o teu corpo
encostado ao meu

Não sei porque me desassossegas
porque sinto este nó na garganta ao ouvir a tua voz
ou porque fico sem palavras ao ver o teu rosto
não sei...

sexta-feira, junho 18, 2004

Alma de criança

Gota de água
Chuva
Mar
Marés
Marinheiros
Barcos
Caravelas
Peixes
Moluscos
Mamíferos
Anfíbios
Areias finas
Seixos roliços
Piratas
Donzelas
Sol
Nuvens
Noite
Dia

Tudo isto se pode ver
tudo isto se pode ouvir
tudo isto (e muito mais) se pode sentir
se tiveres a coragem
de voltares a ter
alma de criança
sonhar
imaginar
acreditar
e pegares num indefeso
e pequeno búzio
um ser perdido no tempo
e o encostares meigamente
ao ouvido e escutares.

quinta-feira, junho 17, 2004

O valor de um sorriso

Um sorriso não custa nada e cria muito...
Dura um só momento, mas a sua lembrança perdura por toda uma vida...
Não se pode comprá-lo, pedi-lo emprestado ou roubá-lo...

E não tem utilidade enquanto não é dado!
Por isso, se no teu caminho encontrares alguém cansado demais para dar um sorriso, deixa-lhe o teu, com optimismo...
Pois ninguém precisa tanto de um sorriso quanto aquele que não tem mais sorrisos para oferecer...
E já agora? Vamos sorrir um pouco?

(autor desconhecido)

quarta-feira, junho 16, 2004

Pensamento

Semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás a acção; semeia a acção e colherás um hábito; semeia o hábito e colherás o carácter.

(Tihamer Toth)

terça-feira, junho 15, 2004

O que é um verdadeiro Amigo

Disse um soldado ao seu comandante:
-"O meu amigo não voltou do campo de batalha. Meu comandante, solicito autorização para ir buscá-lo."
Respondeu o oficial:
-"Autorização negada!" "Não quero que você arrisque a vida por um homem que, provavelmente, está morto!"
O soldado ignorando a proibição saiu e uma hora mais tarde voltou mortalmente ferido, transportando o cadáver do seu amigo.
O oficial estava furioso:
-"Eu não lhe disse que ele estava morto?!"
-"Diga - me, valia a pena ir até lá para trazer um cadáver?"
E o soldado, moribundo, respondeu:
-"Claro que sim, meu comandante!
Quando o encontrei, ele ainda estava vivo e disse-me:
- Tinha a certeza que virias!"
"Um amigo é aquele que chega quando todos já se foram."

(autor desconhecido)

segunda-feira, junho 14, 2004

O Beijo

Nesta noite
noite de chuva
pingos como espinhos
pensei num beijo

Não um beijo qualquer
mas O Beijo
o beijo que não chegou a ser
o beijo que quase foi dado

Pensei no beijo
no beijo que não foi dado
mas que talvez quiséssemos dar
ou talvez não

Pensei no beijo
fechei os olhos e senti o ligeiro
beijo da tua boca no canto
do meu lábio

Pensei no beijo
do sabor que poderia ter sentido e não senti
do toque que poderia ter tido e não tive

Pensei no beijo
imaginei-o noutro local
noutra circunstancia
noutro contexto
mas em ti

Pensei no beijo
nesta noite
noite de chuva
pingos como espinhos
rosas como tu

sábado, junho 12, 2004

A Portuguesa

Neste minuto que antecede o inicio do Euro 2004 ocorreu-me o patriotismo...

"Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há - de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!"

Agora vamos ver até onde chegaremos.

sexta-feira, junho 11, 2004

Tempo

No tempo
em que o tempo
não era tempo
existiu um tempo
em que o tempo não existia.

Nesse tempo
sem tempo
onde o Nada era Absoluto
e o Tudo a Perfeição
houve um tempo
onde o tempo foi gerado.

Nesse tempo
sem tempo
numa fracção centesimal de tempo
o tempo fez-se Luz.

Neste tempo
já com tempo
contado ao milésimo do tempo
andamos à procura de tempo
(como neófito atrás do saber)
para descobrir (quem sabe),
o que é realmente o tempo.

quarta-feira, junho 09, 2004

Um simples pensamento

Quem por mim passa...
deixa sempre um pouco de si
leva sempre um pouco de mim.

terça-feira, junho 08, 2004

Gota de Sangue

Gota de sangue
Fonte da vida
Balança em permanente equilíbrio
entre o nascer e o morrer
Génese do Ser
Código imortal

Gota de sangue
que percorres
um mundo submerso
por rios microscópicos
levando a vida
a todas as partes
da tua Atlântida

Gota de sangue...
Ainda que sejas
o Gene da Vida
há quem faça de ti
o Genocídio do Homem.

domingo, junho 06, 2004

Pensamento

Há certas horas que não precisamos de uma paixão desmedida, não queremos beijos na boca e nem corpos a se encontrarem na maciez de uma cama. Há certas horas que só queremos um abraço apertado. Há certas horas que desejamos a presença amiga, alguém que ria das nossas piadas sem graça... Alguém que apenas nos diga: Amo-te!!!

quinta-feira, junho 03, 2004

Amor - palavra escrita com 2 consoantes

Lá no fundo dos teus olhos
imersos na retina transparente
mergulhados no teu rosto
vejo...

Imagens a passarem constantemente
vezes sem conta
vezes sem fim
aos poucos...

Ganham vida própria
luz e cor
forma e sexo
vêm...

Ideias à memória
pela frente
dos teus pensamentos
sentimentos de...

Amizade
paixão
ou Amor?

terça-feira, junho 01, 2004

Ilha de Bruma

Neste meu pequeno barco,
feito de madeira e pouco mais,
navego ao teu encontro,
neste mar azul, coberto
por um manto de nevoeiro branco e espesso.

Olho para cima e vejo a Lua
redonda e branca com um
olhar belo e sorridente.

Só vejo esse lado que me mostras.
O outro, escuro e sombrio,
só no futuro será possível ver o que esconde.

Já não é a primeira vez
que vou ao teu encontro.

Lembras-te quando me procuraste?
Estava eu no meu castelo das Cinco Torres,
e tu mandaste as tuas Pesarosas
ao meu encontro.

Terá sido obra do acaso ou do destino?
Tal como quando retirei a Excalibur da Pedra,
quero acreditar que foi obras do destino
e não premeditado.
Tal como o sobrinho de Carlos Magno
quando com a Durindana trespassou
uma pedra, ou trespassará?
Não importa!

Também tu me trespassaste
com as tuas palavras.
Nos teus pergaminhos de três linhas,
nem Merlin conseguiu alcançar
o significado das palavras que me dizias.

Como hoje, muitas vezes fui ao teu encontro
para contigo falar de tudo e falar de nada.

Que me perdoe a minha Dama e Senhora Guinevere,
mas só tu, por vezes, alcanças
o significado das minhas palavras.

Tal como eu te sirvo honradamente
com a minha Espada,
tu me confias os teus segredos,
até ao dia que não mais quiseres.

Estás longe, eu sei.
Mas aos poucos,
neste mar calmo e sereno,
lá vou chegar.

Quando deixo o meu castelo,
atravesso uma Pequena Ribeira,
onde nas margens vivem alguns súbditos,
segundo me dizem, um pouco soberbos.
Porque me lembrei disto agora?
Nem eu sei o que me passa
pela cabeça neste momento,
que navego em direcção a ti.

Honro a minha Dama e Senhora,
e tu a quem honrarás?
Tenho o anel do Poder
que me foi posto com o Coração.
Não, não sou o Senhor dos Anéis,
nem o Dragão que guarda a Torre
onde está guardada a Dama
Pura e Bela, para o Escolhido,
nem o Messias que tanto esperam.

Vou a caminho de ti, mais uma vez,
para, mais uma vez,
depois voltar ao meu castelo,
depois de repousar no teu regaço,
depois de saciar o meu ser,
a minha alma, a minha essência,
na tua areia branca, pura e cristalina.

Depois de, a custo, talvez como uma prova,
desbravar, novamente, a erva daninha
que te cobre e entrar por ti adentro,
percorrer todos os teus montes e vales,
rios e cascatas,
e chegar ao ventre de ti,
a esse local escuro e húmido,
iluminado pela graça de Deus,
com uma luz que cega os que não vêem.

Neste meu pequeno barco,
feito de madeira e pouco mais,
navego ao teu encontro,
neste mar azul coberto pela
noite escura e negra.

Mas que importa que
os meus olhos não te vejam?
Importa o que o meu coração vê;
importa o que ao longe tu vês,
dentro de mim.
Não importa quem sou ou o que sou.

No meu pequeno barco
de madeira e pouco mais,
ao longe estou.

Mas hoje vou aportar e ficar,
até que o meu povo precise novamente de mim,
como precisa de D. Sebastião,
...minha Ilha de Bruma,
...minha Avalon.

Simplesmente...
Artur.

Ilhéus

Uma Ilha, segundo os dicionários, é uma porção de terra rodeada de mar por todos os lados.
Um arquipélago é um conjunto de várias ilhas. Até aqui tudo bem.
Eu sou ilhéu ou insular como queiram chamar-me. Sou daquelas pessoas que vive rodeado de mar por todos os lados e a ilha em que resido faz parte de um arquipélago mas...

Quem não é ilhéu? Quem não vive numa Ilha?

Afinal se repararmos no mapa desde pedaço de Terra, até os continentes, gigantes por certo, não passam de meras ilhas já que estão, também eles, rodeados por mar por todos os lados.
Afinal se reparamos neste nosso planeta azul profundo, também ele não passa de um mero arquipélago...à deriva neste sistema solar, fazendo parte de outro maior, mais profundo.

Por isso ilhéu, não sou só eu, por viver numa Ilha, mas sim, todos nós.

quinta-feira, maio 27, 2004


Um simples olhar (foto inspiradora) Posted by Hello

Um simples Olhar

Olho para ti
e vejo-te para lá
de ti
do infinito
do teu olhar

Por detrás dessa mão
de dedos esguios
e perfeitos
vejo a perfeição
na linha da vida

Lábios curtos
sequiosos por um beijo
O Beijo adormecido
despertador de
sentidos e sentimentos
desejos e paixões

O ar que respiras
é incolor e puro
como puro é
o local por onde
inspiras
por onde
expiras.

O teu olhar
no infinito da existência
da existência finita
de um mar azul
e profundo,
de um céu
azul sem cor,
deixa-me...

Esse teu olhar
jovem e sem idade
de pensamentos
e esperanças mil
deixa-me...

Olhar sensual
simpático
misterioso
atraente e envolvente
deixa-me...
sem palavras ou fala
sem sensações ou sentidos
para poder descrever tudo,
tudo o que no fundo do teu olhar
me transmite sem me transmitires,
que afinal não passa
de um grão de areia minúsculo
onde está contida
toda a profundidade do universo infinito.

27 de Maio de 2004

Pequenas palavras para descrever a grandeza da foto acima, gentilmente cedida pela amiga Marilia, que mesmo não a conhecendo, parece que a conheço desde sempre. Para ela um beijo de simpatia e amizade.

quarta-feira, maio 26, 2004


Amigos Posted by Hello

EXTREME vão tocar na Ilha do Corvo

"Os Extreme, a banda do terceirense Nuno Bettencourt, vai reunir-se em Agosto para efectuar um concerto integrado na primeira edição do Festival dos Moinhos, que terá lugar na ilha do Corvo.
A banda, que alcançou sucesso em todo mundo com o tema “More Than Words” (primeiro lugar do top de singles dos Estados Unidos), separou-se em 1996, após nove anos de actividade.
O vocalista Gary Cherone foi para os Van Halen (de onde saiu entretanto) e Nuno Bettencourt apostou numa carreira a solo e com a banda Mouring Widows.
Vão estar na ilha do Corvo Gary Cherone, Nuno Bettencourt, Pat Badger e Paul Geary, os quatro elementos da formação original dos Extreme.
O Festival dos Moinhos terá lugar a 13, 14 e 15 de Agosto e a organização do evento espera atrair à mais pequena ilha do arquipélago cerca de mil visitantes.
Para além dos Extreme, estão já confirmadas para cartaz do Festival dos Moinhos as bandas The New Princess (França), Jindungo (banda que acompanha Jorge Palma), Pedro Camilo e o grupo piocense Why Not Band." Fonte - Diário Insular de 26 de Maio de 2004.

Até que enfim que alguém se lembra que esta ilha, a ilha do Corvo, com pouco mais de 200 habitantes, Portugal mais a ocidente da Europa, mesmo que apenas seja para dar música. Será que num futuro se tornará um Vilar de Mouros?

Divagações musicais

Gosto de quase todo o tipo de música, até das baladas dos grupos de Heavy Metal que, lamentavelmente, a outra música destes grupos não entram nos meus ouvidos. Não porque não possa prestar, mas sim, porque eu não sei apreciar.
Desde que me lembro, sempre ouvi música clássica. Desde que me lembro como pessoa que, para estudar, meditar, pensar ou, simplesmente ouvir, que a música clássica é a primeira a ser chamada.
Gosto do género Celta, Meditação ou New Age. Pop, rock, e outros também ouço, que se note mas...
Para mim a música Clássica é intemporal, sem tempo na historia já que corre pela historia toda. Desde Mozart, por exemplo, corro quase todos os compositores conhecidos e menos conhecidos.
Árias, óperas, concertos, requiems, marchas, isto entre outros estilos, que este nome se pode aplicar, tudo serve para ouvir e relaxar...quase tudo.

Introdução talvez grande demais para falar na música que acabei de ouvir. Acabei de ouvir Beethoven, mais propriamente “Funeral March” e, por incrível que pareça fez parte da banda sonora de um filme de ficção cientifica, género que sou adepto, mas sobre isso falarei noutra altura. Como diz o nome é uma marcha funerária mas, poderá servir para tal situação é claro mas, também para o sentido oposto, o do nascimento.
Do nascimento da vida de uma criança, de uma planta ou animal. Tal como com o Inverno onde a “morte” acontece na natureza, também com a Primavera há o renascimento da mesma e assim considero esta música. O renascimento de algo, mesmo que seja só dentro de nós.
Os primeiros acordes doces e ternos, como se abríssemos os olhos pela primeira vez frente à luz, à luz da vida. De seguida, a melodia cresce, aumenta o ritmo ordeiramente, ordenadamente, como se fossemos uma criança em direcção à adolescência, à maturidade e depois à maior idade, com tudo o que acontece nestas fases. Dúvidas, receios, anseios. Alegrias, risos e sorrisos.
Num golpe de génio, como génio era este grande compositor, passa pela fase adulta, por toda a fase adulta, com os prós e contras inerentes a este estatuto social...até à velhice...da idade.
Acaba...acaba quase como começou, com os acordes doces, suaves e ternos, como se a “morte” fosse isso mesmo, uma paz de espirito, doce entrega, suave embalo e terna ida, seja para onde for essa ida.
Comovi-me, como sempre, quando estou predisposto para ouvir este tipo de música que, quase a chamaria de sagrada.

Entretanto no Windows Media Player está a tocar “Moonlight Sonata” de Mozart. Uma composição soberba, melancólica mas também calma e relaxante só de piano e em diversos andamentos, mas dessa composição e outras, falarei noutra altura, tal como do meu género de filmes.

segunda-feira, maio 24, 2004


Vertigem Azul... Á dias revi este filme, a versão longa. Não difere muito da versão original, apenas tem mais alguns minutos de filme.
Sempre gostei deste filme, desde que o vi pela primeira vez, lá pelo ano de 1988.
A banda sonora é divinal, é de Eric Serra. A música inicial, com a voz dos golfinhos em fundo dão um ar de...calma profunda.
O mergulho em apneia sempre me fascinou. Aquela sensação do encontro com o mar, um mundo em que nós gostariamos de ter nascido, pelo menos eu gostaria. O ficarmos sem respirar por algum tempo, em troca de algum prazer, introspecção, relaxamento, de encontro com o mar e aproximação aos nossos limites. Gostava de saber nadar para depois, aprender a mergulhar e no fim, o mergulho em apneia.
Um filme onde o mar e os golfinhos são os principais actores, onde o homem é secundário, sendo apenas um...essencial para a historia. Um homem que afinal não passa de um golfinho com corpo humano.
A cor, a fotografia, a historia, tudo isto faz com que este filme seja um filme intemporal, um filme sem tempo.
Um filme que revi e gostei. Aconselho a que goste do mar, de golfinhos e da interligação entre o homem e o animal, a amizade, a empatia entre dois seres diferentes mas, também semelhantes.
 Posted by Hello