quinta-feira, junho 03, 2004

Amor - palavra escrita com 2 consoantes

Lá no fundo dos teus olhos
imersos na retina transparente
mergulhados no teu rosto
vejo...

Imagens a passarem constantemente
vezes sem conta
vezes sem fim
aos poucos...

Ganham vida própria
luz e cor
forma e sexo
vêm...

Ideias à memória
pela frente
dos teus pensamentos
sentimentos de...

Amizade
paixão
ou Amor?

terça-feira, junho 01, 2004

Ilha de Bruma

Neste meu pequeno barco,
feito de madeira e pouco mais,
navego ao teu encontro,
neste mar azul, coberto
por um manto de nevoeiro branco e espesso.

Olho para cima e vejo a Lua
redonda e branca com um
olhar belo e sorridente.

Só vejo esse lado que me mostras.
O outro, escuro e sombrio,
só no futuro será possível ver o que esconde.

Já não é a primeira vez
que vou ao teu encontro.

Lembras-te quando me procuraste?
Estava eu no meu castelo das Cinco Torres,
e tu mandaste as tuas Pesarosas
ao meu encontro.

Terá sido obra do acaso ou do destino?
Tal como quando retirei a Excalibur da Pedra,
quero acreditar que foi obras do destino
e não premeditado.
Tal como o sobrinho de Carlos Magno
quando com a Durindana trespassou
uma pedra, ou trespassará?
Não importa!

Também tu me trespassaste
com as tuas palavras.
Nos teus pergaminhos de três linhas,
nem Merlin conseguiu alcançar
o significado das palavras que me dizias.

Como hoje, muitas vezes fui ao teu encontro
para contigo falar de tudo e falar de nada.

Que me perdoe a minha Dama e Senhora Guinevere,
mas só tu, por vezes, alcanças
o significado das minhas palavras.

Tal como eu te sirvo honradamente
com a minha Espada,
tu me confias os teus segredos,
até ao dia que não mais quiseres.

Estás longe, eu sei.
Mas aos poucos,
neste mar calmo e sereno,
lá vou chegar.

Quando deixo o meu castelo,
atravesso uma Pequena Ribeira,
onde nas margens vivem alguns súbditos,
segundo me dizem, um pouco soberbos.
Porque me lembrei disto agora?
Nem eu sei o que me passa
pela cabeça neste momento,
que navego em direcção a ti.

Honro a minha Dama e Senhora,
e tu a quem honrarás?
Tenho o anel do Poder
que me foi posto com o Coração.
Não, não sou o Senhor dos Anéis,
nem o Dragão que guarda a Torre
onde está guardada a Dama
Pura e Bela, para o Escolhido,
nem o Messias que tanto esperam.

Vou a caminho de ti, mais uma vez,
para, mais uma vez,
depois voltar ao meu castelo,
depois de repousar no teu regaço,
depois de saciar o meu ser,
a minha alma, a minha essência,
na tua areia branca, pura e cristalina.

Depois de, a custo, talvez como uma prova,
desbravar, novamente, a erva daninha
que te cobre e entrar por ti adentro,
percorrer todos os teus montes e vales,
rios e cascatas,
e chegar ao ventre de ti,
a esse local escuro e húmido,
iluminado pela graça de Deus,
com uma luz que cega os que não vêem.

Neste meu pequeno barco,
feito de madeira e pouco mais,
navego ao teu encontro,
neste mar azul coberto pela
noite escura e negra.

Mas que importa que
os meus olhos não te vejam?
Importa o que o meu coração vê;
importa o que ao longe tu vês,
dentro de mim.
Não importa quem sou ou o que sou.

No meu pequeno barco
de madeira e pouco mais,
ao longe estou.

Mas hoje vou aportar e ficar,
até que o meu povo precise novamente de mim,
como precisa de D. Sebastião,
...minha Ilha de Bruma,
...minha Avalon.

Simplesmente...
Artur.

Ilhéus

Uma Ilha, segundo os dicionários, é uma porção de terra rodeada de mar por todos os lados.
Um arquipélago é um conjunto de várias ilhas. Até aqui tudo bem.
Eu sou ilhéu ou insular como queiram chamar-me. Sou daquelas pessoas que vive rodeado de mar por todos os lados e a ilha em que resido faz parte de um arquipélago mas...

Quem não é ilhéu? Quem não vive numa Ilha?

Afinal se repararmos no mapa desde pedaço de Terra, até os continentes, gigantes por certo, não passam de meras ilhas já que estão, também eles, rodeados por mar por todos os lados.
Afinal se reparamos neste nosso planeta azul profundo, também ele não passa de um mero arquipélago...à deriva neste sistema solar, fazendo parte de outro maior, mais profundo.

Por isso ilhéu, não sou só eu, por viver numa Ilha, mas sim, todos nós.

quinta-feira, maio 27, 2004


Um simples olhar (foto inspiradora) Posted by Hello

Um simples Olhar

Olho para ti
e vejo-te para lá
de ti
do infinito
do teu olhar

Por detrás dessa mão
de dedos esguios
e perfeitos
vejo a perfeição
na linha da vida

Lábios curtos
sequiosos por um beijo
O Beijo adormecido
despertador de
sentidos e sentimentos
desejos e paixões

O ar que respiras
é incolor e puro
como puro é
o local por onde
inspiras
por onde
expiras.

O teu olhar
no infinito da existência
da existência finita
de um mar azul
e profundo,
de um céu
azul sem cor,
deixa-me...

Esse teu olhar
jovem e sem idade
de pensamentos
e esperanças mil
deixa-me...

Olhar sensual
simpático
misterioso
atraente e envolvente
deixa-me...
sem palavras ou fala
sem sensações ou sentidos
para poder descrever tudo,
tudo o que no fundo do teu olhar
me transmite sem me transmitires,
que afinal não passa
de um grão de areia minúsculo
onde está contida
toda a profundidade do universo infinito.

27 de Maio de 2004

Pequenas palavras para descrever a grandeza da foto acima, gentilmente cedida pela amiga Marilia, que mesmo não a conhecendo, parece que a conheço desde sempre. Para ela um beijo de simpatia e amizade.

quarta-feira, maio 26, 2004


Amigos Posted by Hello

EXTREME vão tocar na Ilha do Corvo

"Os Extreme, a banda do terceirense Nuno Bettencourt, vai reunir-se em Agosto para efectuar um concerto integrado na primeira edição do Festival dos Moinhos, que terá lugar na ilha do Corvo.
A banda, que alcançou sucesso em todo mundo com o tema “More Than Words” (primeiro lugar do top de singles dos Estados Unidos), separou-se em 1996, após nove anos de actividade.
O vocalista Gary Cherone foi para os Van Halen (de onde saiu entretanto) e Nuno Bettencourt apostou numa carreira a solo e com a banda Mouring Widows.
Vão estar na ilha do Corvo Gary Cherone, Nuno Bettencourt, Pat Badger e Paul Geary, os quatro elementos da formação original dos Extreme.
O Festival dos Moinhos terá lugar a 13, 14 e 15 de Agosto e a organização do evento espera atrair à mais pequena ilha do arquipélago cerca de mil visitantes.
Para além dos Extreme, estão já confirmadas para cartaz do Festival dos Moinhos as bandas The New Princess (França), Jindungo (banda que acompanha Jorge Palma), Pedro Camilo e o grupo piocense Why Not Band." Fonte - Diário Insular de 26 de Maio de 2004.

Até que enfim que alguém se lembra que esta ilha, a ilha do Corvo, com pouco mais de 200 habitantes, Portugal mais a ocidente da Europa, mesmo que apenas seja para dar música. Será que num futuro se tornará um Vilar de Mouros?

Divagações musicais

Gosto de quase todo o tipo de música, até das baladas dos grupos de Heavy Metal que, lamentavelmente, a outra música destes grupos não entram nos meus ouvidos. Não porque não possa prestar, mas sim, porque eu não sei apreciar.
Desde que me lembro, sempre ouvi música clássica. Desde que me lembro como pessoa que, para estudar, meditar, pensar ou, simplesmente ouvir, que a música clássica é a primeira a ser chamada.
Gosto do género Celta, Meditação ou New Age. Pop, rock, e outros também ouço, que se note mas...
Para mim a música Clássica é intemporal, sem tempo na historia já que corre pela historia toda. Desde Mozart, por exemplo, corro quase todos os compositores conhecidos e menos conhecidos.
Árias, óperas, concertos, requiems, marchas, isto entre outros estilos, que este nome se pode aplicar, tudo serve para ouvir e relaxar...quase tudo.

Introdução talvez grande demais para falar na música que acabei de ouvir. Acabei de ouvir Beethoven, mais propriamente “Funeral March” e, por incrível que pareça fez parte da banda sonora de um filme de ficção cientifica, género que sou adepto, mas sobre isso falarei noutra altura. Como diz o nome é uma marcha funerária mas, poderá servir para tal situação é claro mas, também para o sentido oposto, o do nascimento.
Do nascimento da vida de uma criança, de uma planta ou animal. Tal como com o Inverno onde a “morte” acontece na natureza, também com a Primavera há o renascimento da mesma e assim considero esta música. O renascimento de algo, mesmo que seja só dentro de nós.
Os primeiros acordes doces e ternos, como se abríssemos os olhos pela primeira vez frente à luz, à luz da vida. De seguida, a melodia cresce, aumenta o ritmo ordeiramente, ordenadamente, como se fossemos uma criança em direcção à adolescência, à maturidade e depois à maior idade, com tudo o que acontece nestas fases. Dúvidas, receios, anseios. Alegrias, risos e sorrisos.
Num golpe de génio, como génio era este grande compositor, passa pela fase adulta, por toda a fase adulta, com os prós e contras inerentes a este estatuto social...até à velhice...da idade.
Acaba...acaba quase como começou, com os acordes doces, suaves e ternos, como se a “morte” fosse isso mesmo, uma paz de espirito, doce entrega, suave embalo e terna ida, seja para onde for essa ida.
Comovi-me, como sempre, quando estou predisposto para ouvir este tipo de música que, quase a chamaria de sagrada.

Entretanto no Windows Media Player está a tocar “Moonlight Sonata” de Mozart. Uma composição soberba, melancólica mas também calma e relaxante só de piano e em diversos andamentos, mas dessa composição e outras, falarei noutra altura, tal como do meu género de filmes.

segunda-feira, maio 24, 2004


Vertigem Azul... Á dias revi este filme, a versão longa. Não difere muito da versão original, apenas tem mais alguns minutos de filme.
Sempre gostei deste filme, desde que o vi pela primeira vez, lá pelo ano de 1988.
A banda sonora é divinal, é de Eric Serra. A música inicial, com a voz dos golfinhos em fundo dão um ar de...calma profunda.
O mergulho em apneia sempre me fascinou. Aquela sensação do encontro com o mar, um mundo em que nós gostariamos de ter nascido, pelo menos eu gostaria. O ficarmos sem respirar por algum tempo, em troca de algum prazer, introspecção, relaxamento, de encontro com o mar e aproximação aos nossos limites. Gostava de saber nadar para depois, aprender a mergulhar e no fim, o mergulho em apneia.
Um filme onde o mar e os golfinhos são os principais actores, onde o homem é secundário, sendo apenas um...essencial para a historia. Um homem que afinal não passa de um golfinho com corpo humano.
A cor, a fotografia, a historia, tudo isto faz com que este filme seja um filme intemporal, um filme sem tempo.
Um filme que revi e gostei. Aconselho a que goste do mar, de golfinhos e da interligação entre o homem e o animal, a amizade, a empatia entre dois seres diferentes mas, também semelhantes.
 Posted by Hello

sexta-feira, maio 21, 2004

Memórias

Almoço na cantina da escola onde a minha cara metade trabalha.
Chamo-lhe de cara metade porque sem ela faltar-me-ia alguma coisa, talvez a outra metade de mim. Cara metade porque os dois somos como um só...e por aí diante, mas não é sobre isso que aqui estou.
Estou aqui, porque almocei na cantina de uma escola, como disse.

Memórias, lembranças, saudades (palavra nossa, tipicamente portuguesa), mil e uma coisa me vieram à lembrança, aos locais mais recônditos da minha mente onde, pensava já estarem gravadas essas imagens.
O barulho, típico por sinal, o cheiro a comida, as mochilas, livros, cadernos, tudo espalhado por sobre as mesas. As filas á espera da vez para levar a sua dose, as trocas de comida ou de fruta, tudo isso me fez recordar tempos idos, tempos em que eu também fui como eles, aluno, irreverente ou certinho, quem sabe? Quem se lembra?
Recordei-me de quando em grupo, lá íamos para a cantina comer com amigos e amigas, a fila interminável, e enquanto se esperava, falava-se deste e daquele professor, desta e daquela matéria, mais fácil ou mais difícil e deste(a) ou daquele(a) rapaz/rapariga. No meu caso era mais das raparigas...obviamente.
Lembrei-me dos beijos fortuitos que dava a uma, em especial, não na cara mas no canto do lábio, afinal...naquela altura, naquela época, apesar de já haver na algumas liberdades, não eram como agora que, a meu ver, já pecam por exagero mas isso, é a minha opinião. Aquele sabor doce do canto da sua boca era como se não estivesse ali, naquele momento. Não me recordo do seu nome, nem tão pouco do que é feito dela mas, neste momento ainda a consigo ver, a sorrir para mim, com aquele ar ternurento que ela tinha, ar de menina pura e sem malícia.
Chamar-se-ia Luisa ou Joana? Ana, talvez! Não, não me consigo lembrar do nome dela, mas consigo quase que vê-la, encostada a mim, aninhada a meu lado, promessas para um lado e para o outro, apenas promessas lançadas ao vento.
Os barulhos, os ruídos, o cheiro da cantina, fizeram-me voltar à realidade, esta realidade onde estou...ao pé da minha cara metade que adoro, que amo.

Um pouco de mim... Posted by Hello

quinta-feira, maio 20, 2004

Calma, paz profunda e tranquilidade

Hoje estou assim, calmo, com uma grande paz, tranquilidade, apesar do "caos" à minha volta. Não sei se será porque me sinto a voar por entre o azul do céu ou o azul do mar ou se será por me sentir bem comigo mesmo. Que importa?
Importa sim este estado de espirito, esta tranquilidade que, quase me faz sentir estar na Lua a olhar para este pedaço de azul no meio da noite eterna e, no entanto voo apenas por cima das nuvens, acima da mesquinhez dos homens e das restantes gaivotas que, apenas vivem para comer.

Azul

Vamos tentar por...um pouco mais de azul..nas nossas vidas, cinzentas por vezes.

Voar...

Gostava de poder voar, pairar no céu, flutuar por entre as nuvens brancas de algodão.
Ser um pássaro de ferro ou uma máquina de carne e osso.
Uma Andorinha na Primavera, um Condor pairando por sobre os Andes ou um mero Beija-flor tocando ao de leve nas flores mais raras e mais doces.
Também não me importava de ser um planador nas correntes de ar quente, um balão por sobre as montanhas verdejantes deste pais à beira mar plantado ou, uma asa delta por vales verdes e profundos.
Quem sabe, ser um anjo. Um anjo que além de voar, também anda no meio dos humanos, incapazes de o ver por serem “imperfeitos”, protegendo o seu protegido, desde o nascer do sol até a aurora da sua vida.
Gostava de poder voar livremente pelo céu azul, por entre as ondas do mar...apenas isso.

quarta-feira, maio 19, 2004

Animais

Para quem gosta de animais, da natureza, aqui está um autêntico Zoo de letras.

Verdades ou contradições?

Seremos uma realidade ou uma mera ficção, um sonho de outro alguém que não nosso?
Haverá um outro mundo, o mundo do além, limpo e puro ou, aquela luz ao fundo do túnel que muitos dizem ver, não passa de uma mera ilusão criada pelos nossos neurónios?
Haverá o bem e no seu oposto o mal, ou isto será uma mera criação do Homem?
Qual o propósito desta vida, para além da procriação e da satisfação dos nossos desejos?
Existirá o destino ou, o destino somos nós que o fazemos?
Mundos paralelos, vidas paralelas, opções a tomar em prol duma certeza incerta, será isso o efeito Borboleta?
Anjos ou Diabos, existirão realmente ou, as igrejas criaram-nos para nos fazerem ver que não passamos de meros mortais ainda que, de uma perspectiva diferente imortais?
Aqui ficam algumas das minhas verdades ou serão, as minhas contradições?

terça-feira, maio 18, 2004

Um simples iogurte

No meio do caos no local de trabalho em que me encontro, no meio de papel e mais papel, telefonemas, chamadas, o entre e sai de gente chata, os pedidos Superiores...
...consegui um tempo para mim, para o meu bem estar, a minha auto-estima, paz e sossego, ainda que por breves minutos.
Minutos que pareceram horas, enquanto saboreava um iogurte cremoso, sedoso e envolvente.
Agora até pareceu um daqueles anúncios em que quando estão a comer um, reina a paz, o sossego, a calma à volta. Acho que vou dar a mão à palmatória, afinal, foi assim que me senti.

Pequenos prazeres...

segunda-feira, maio 17, 2004

Taça de Portugal

Não sou apreciador de futebol e, quando dá, salvo raras excepções, mudo de canal. Já lá vai o tempo em que tínhamos que ver aquele único canal que existia.
Tal como um professora de físico-química que tive quando andava na escola secundária, não sei qual a piada de ver 22 homens em cuecas atrás de uma bola. Mas também poderão dizer o mesmo de mim, que gosto de ver uma boa corrida de Formula 1, qual a piada de ver n carros a darem voltas e mais voltas numa pista...
Só gostava de jogar futebol, pelos milhões de euros que eles ganham anualmente, nada mais que isso e, por ser considerava uma profissão de desgaste rápido, ou seja, reformam-se na flor da idade.

Aliás, se pensarmos bem, existem muitos outros TRABALHOS que poderiam ser considerados como tal. Estou a lembrar-me de quem trabalha em escolas. Não só os professores mas, também os auxiliares de acção educativa. Aturar centenas, para não dizer milhares (dependendo da escola) de crianças, muitas delas, rebeldes, insatisfeitas, de zonas “problemáticas” é dose. Mas existem outros trabalhos, os quais, neste momento não me recordo...podia dizer o meu...que também considero como tal mas...

Independentemente de, se foi bem ou mal ganha a Taça de Portugal pelo Benfica, já que há sempre quem critique, confesso que gostei de ter sido o Benfica a ganhar e eu, não sou simpatizante deste clube, sou mais para o Verde esperança. Porquê?
Talvez tenha sido o meu lado alfacinha a vir ao de cima, o meu lado bairrista, o meu lado adormecido à cerca de 15 anos desde que aqui estou, quase tantos como os de Lisboa.

Amigas ou Colegas?

No passado Sábado fui trabalhar. Era Sábado e todos os meus colegas, quase todos melhor dizendo, ficaram nas suas casas.
Eu e mais 3 colegas fomos trabalhar...por amor à camisola obviamente, neste época de contenção de despesas públicas.
Não que tivesse ido com muita vontade, é certo mas, também elas devem ter ido com a mesma vontade. O que nos salva, para além da fé, é o facto de sermos uma Secção onde reina a paz, a calma aparente e o bom ambiente entre colegas, coisa que nos dias que correm não é fácil num serviço público.
Na grande maioria dos locais de trabalho públicos, reina o disse que disse, os mexericos, os enredos para entalar o colega, o subir na carreira a troco de graxa e lambe botas, enfim, reina tudo menos o que devia reinar, afinal, é no trabalho que passamos a maior parte da vida, já que em casa é, quase só o ir dormir e pouco mais.
No local onde trabalho o bom ambiente já existiu mais, mas de quem terá sido a culpa? Minha? Das outras? Talvez de todos um pouco, talvez por coisas que nem nós sabemos dizer. No entanto, ainda somos uma secção unida onde, por vezes fazemos almoços em grupo, onde nos aniversários de cada um, há sempre uma pequena lembrança a dar ou receber, conforme o caso. Uma secção onde, quando cometemos um pequeno erro, a culpa não é deste ou daquele, É DE NÓS, a secção. E isto e bom, apenas por isso é que hoje fui trabalhar para tentarmos por o serviço mais em dia, aliás, se trabalhássemos fora de horas, tipo anuncio da Vodafone de 3 geração, depois do horário normal, as coisas andariam mais em dia. Ele é o telefone de minuto a minuto, as pessoas a tentarem resolver os seus problemas mas, têm que contar a historia da sua vida toda para percebermos, os pedidos dos chefes, as urgências para se fazer determinado oficio, que afinal, depois de feito, deixa de ser urgente.
Sábado em apenas pouco mais de 3 horas, conseguimos fazer mais do que num dia normal de trabalho, se bem que não tenha sido o suficiente mas, já foi melhor do que nada.
O que nos vale é termos a “certeza” de em breve recebermos uma medalha...de sabão ou de cartão, sem duvida alguma mas, no entanto, ficámos de consciência tranquila de que tentámos fazer o melhor que pudemos e humanamente possível.

1...6

Ás vezes penso “porque não me sai o totoloto?”
Já jogo desde que este jogo começou, à cerca de 18 anos, mais coisa menos coisa. Todas as semanas lá estou, quase que religiosamente, a registar o meu, á espera de ser essa semana a tal.
Já se passaram estes anos todos e, nada. Até mesmo um 3 é quase impossível sair e, quando saí, nem sequer dá para um café...curto.
Sai a tanta gente centenas de contos, milhares nos dias que correm e a mim...
Não digo que queria que saísse 500 mil contos, falando ainda em escudos, mas se saísse também não os ia deitar fora. Digo que, se me saísse apenas o suficiente para pagar a minha casa, já me sentia rico, a sério que sim.
Até no pedir um pobre é isso mesmo, pobre. Que importa?
Com o meu vencimento e o da minha mulher já dava para fazer uma vida desafogada, sem receio de “será que vai chegar ao fim do mês?”.
É um pedido de pobre, como sou, obviamente mas, um pedido tão simples, no meio de tanta gente que tem milhões, no meio de tanta gente que anseia por um cheque milionário e, mesmo assim, ainda não foi desta, acho eu. Talvez hoje tenha a sorte de ver os meus números sair, afinal, estão lá todos.
Não me importava que fosse a dividir por várias pessoas, a sério que não, desde que a minha parte fosse, o suficiente para não me preocupar todos os meses com as mesmas coisas, a prestação da casa, o pagamento da água, da luz, do telefone, do ATL do meu filho, etc, etc.
No meio deste meu desabafo, sei que existem pessoas piores do que eu, pessoas que nem casa têm, pessoas que não têm saúde, pessoas que não têm que comer, pessoas em que a sua vida é quase de sobrevivência diária.
Por isso, entre outras razões, é que me sentiria rico só com o suficiente...para viver esta vida que é tão efémera.
Porque não me saí o totoloto, apenas o quanto baste?