Porque será que existem alimentos dos quais gostamos bastante mas que, apesar do seu sabor ser ausente, ou seja, sem sabor algum, por vezes sentimos falta de os comer?
Como exemplo, estou a lembrar-me dos cogumelos, dos rebentos de soja, entre outros que, não passamos sem eles e, no entanto, a nada sabem...ou será que sabem mas as papilas gustativas não detectam?
Aqui será a areia fina...a falésia...onde, entre voos, poisarei para descansar e meditar, depois voltar a voar entre o azul do mar e o azul do céu.
segunda-feira, maio 10, 2004
Carta a uma Borboleta
Nesta praia onde me encontro, por cima desta areia preta onde a água vai e vem no seu infinito movimento ondulatório, olho em frente, no infinito da imensidão do mar.
As outras gaivotas voam em intermináveis círculos á procura de comida, de sustento. No entanto, apesar de precisar de me alimentar, sinto-me bem aqui, a olhar para ti.
No meio destas tontas, sinto-me um Robison Crusoé, sozinho nesta ilha, apesar de estar no meio de uma multidão.
Tu, minha borboleta, com as tuas cores multicolores, por vezes fazem-me sentir quase que embriagado.
Vejo-te a voar de flor em flor, ramo em ramo. Lembro-me de quando ainda eras uma pequena larva, uma minhoca sem aspecto definido, pelo menos para mim.
Hoje em dia, de minhoca nada tens e eu, continuo sem cor aparente, no meio de tons de cinzento.
Por vezes, se não fosse sentir essa ideia que aqui, consigo ver-te aí...longe daqui mas, ao mesmo tempo como que estando tu aqui ou eu aí, acho que já tinha partido para outros voos, para mais longe. Mais longe daqui, mais longe de tudo e de todos.
Obrigado minha borboleta por pairares no meu céu de quando em vez.
As outras gaivotas voam em intermináveis círculos á procura de comida, de sustento. No entanto, apesar de precisar de me alimentar, sinto-me bem aqui, a olhar para ti.
No meio destas tontas, sinto-me um Robison Crusoé, sozinho nesta ilha, apesar de estar no meio de uma multidão.
Tu, minha borboleta, com as tuas cores multicolores, por vezes fazem-me sentir quase que embriagado.
Vejo-te a voar de flor em flor, ramo em ramo. Lembro-me de quando ainda eras uma pequena larva, uma minhoca sem aspecto definido, pelo menos para mim.
Hoje em dia, de minhoca nada tens e eu, continuo sem cor aparente, no meio de tons de cinzento.
Por vezes, se não fosse sentir essa ideia que aqui, consigo ver-te aí...longe daqui mas, ao mesmo tempo como que estando tu aqui ou eu aí, acho que já tinha partido para outros voos, para mais longe. Mais longe daqui, mais longe de tudo e de todos.
Obrigado minha borboleta por pairares no meu céu de quando em vez.
sexta-feira, maio 07, 2004
Meia hora
Já há longos tempos que não ia ao jardim, há tempo demais por sinal.
Hoje depois do almoço e, como o tempo estava convidativo dirigi-me até ele, aqui quase ao lado do serviço.
Entrei e dei-me conta que estava quase vazio mas, também não tinha ali ido para ver seja quem fosse.
Caminhei alguns passos e, parei no pequeno lago onde peixes cor de laranja andavam de um lado para o outro sem rumo aparente. Também, dali não saem, como havia de saber para onde ir? O mais provável seria que andavam à procura de comida, mas essa, desta vez não os consolei.
No meio de vários bancos, típicos de jardim, sentei-me num onde o sol não chegava e a brisa da árvore que por cima me olhava, dava um ar fresco e suave.
De repente, senti-me quase no paraíso, se bem que não saiba o que é mas, calculo que seja algo parecido, onde reine a paz, como aqui.
Pássaros, muitos pássaros nas árvores poisados cantavam melodias calmas e serenas.
Fechei os olhos para saborear melhor o momento.
No meio daquela quietude quase angelical, senti-me bem...muito bem.
A brisa morna, o ar fresco, a orquestra, tudo em uníssono neste quase paraíso, como uma massagem daquelas boas que nos põe relaxados, demais por vezes, fez-me sentir outra pessoa. Uma pessoa capaz de mudar o mundo mas, não era isso que eu queria naquele momento.
Olhei para o relógio e, o tempo que me pareceu ter estado ali afinal, tinha sido quase o dobro. Meia hora se tinha passado e eu nem me tinha apercebido.
Saí com uma paz de espírito imensa em direcção ao meu serviço onde, reina tudo menos a paz.
Outro dia hei-de lá voltar, com mais calma, com mais tempo. Talvez não esteja predisposto como hoje mas, no entanto, talvez esta sensação volte a reinar dentro do meu ser.
Hoje depois do almoço e, como o tempo estava convidativo dirigi-me até ele, aqui quase ao lado do serviço.
Entrei e dei-me conta que estava quase vazio mas, também não tinha ali ido para ver seja quem fosse.
Caminhei alguns passos e, parei no pequeno lago onde peixes cor de laranja andavam de um lado para o outro sem rumo aparente. Também, dali não saem, como havia de saber para onde ir? O mais provável seria que andavam à procura de comida, mas essa, desta vez não os consolei.
No meio de vários bancos, típicos de jardim, sentei-me num onde o sol não chegava e a brisa da árvore que por cima me olhava, dava um ar fresco e suave.
De repente, senti-me quase no paraíso, se bem que não saiba o que é mas, calculo que seja algo parecido, onde reine a paz, como aqui.
Pássaros, muitos pássaros nas árvores poisados cantavam melodias calmas e serenas.
Fechei os olhos para saborear melhor o momento.
No meio daquela quietude quase angelical, senti-me bem...muito bem.
A brisa morna, o ar fresco, a orquestra, tudo em uníssono neste quase paraíso, como uma massagem daquelas boas que nos põe relaxados, demais por vezes, fez-me sentir outra pessoa. Uma pessoa capaz de mudar o mundo mas, não era isso que eu queria naquele momento.
Olhei para o relógio e, o tempo que me pareceu ter estado ali afinal, tinha sido quase o dobro. Meia hora se tinha passado e eu nem me tinha apercebido.
Saí com uma paz de espírito imensa em direcção ao meu serviço onde, reina tudo menos a paz.
Outro dia hei-de lá voltar, com mais calma, com mais tempo. Talvez não esteja predisposto como hoje mas, no entanto, talvez esta sensação volte a reinar dentro do meu ser.
Um sonho...apenas isso
O sol acordou neste dia com força, vontade e quente mas, não tão quente como o sonho escaldante que tive. Escaldante para mim, pecaminoso para outras pessoas.
Sonhei com uma colega minha. Uma quarentona mas, daqueles que ainda rompem sapatos interiores, daquelas que põe uma rapariga na casa do vinte a um canto, no que toca a uma relação sexual.
É uma colega que, talvez por força da sua actividade física, tem tudo no lugar e, nalguns casos, até mais que muitas mais novas.
Pessoalmente, sinto-me mais atraído por mulheres na minha faixa etária ou, como esta, na casa dos quarenta e poucos...vai-se lá saber o porquê. Por isso, custa-me a compreender a pedofilia, pedofilia no sentido de relações entre um homem e uma rapariga menor, que não sendo indefesa esta última, ainda lhe falta muito para dar prazer. Prazer como eu gosto, um prazer prolongado com preliminares sublimes a tombarem para o erótico. Prazer como um taurino que sou gosta de sentir.
Por entre os lençóis de cetim sem cor definida, numa cama conhecida mas ao mesmo tempo desconhecida, os nossos corpos transpirados de suor e luxuria transmitiam um ao outro, por entre gemidos mudos, o desejo latente, adormecido que dentro de nós devia estar oprimido.
Depois de horas, minutos talvez, o prazer tinha chegado ao seu clímax, ambos tínhamos chegado ao supra sumo, ao desejo mais desejado.
Acordei e, ao meu lado estava a minha mulher que dormia um sono, o sono dos justos. Por momentos senti-me como se tivesse cometido adultério, sem o ter cometido. Por momentos senti-me bem, não que esteja mal com quem ao meu lado dormia mas, porque aquele sonho tinha sido divinal, tinha sido apenas isso.
Cheguei ao trabalho e cruzei-me com esta colega. Senti-me mal, por segundos admito. Senti que explorei, usei e abusei de um corpo que não conhecia, de um corpo que não era meu, de um corpo que não tinha sido entregue de livre iniciativa, de espontânea vontade.
Depois destes segundos, milésimos quem sabe, dei-lhe um bom dia sorridente, confiante e triunfante. Porquê triunfante? Talvez porque o desejo que por vezes sinto de olhos abertos, foi realizado noutro mundo, no mundo dos sonhos onde, não existe o pecado, o adultério ou o mal estar, que possivelmente haveria, se não fosse nesse mundo.
Agora...
Agora recordo este sonho, que apesar de ter sido esta noite, recordo-o com nostalgia, como se o mesmo já tivesse acontecido á meses, anos, décadas, quem sabe?
Sonhei com uma colega minha. Uma quarentona mas, daqueles que ainda rompem sapatos interiores, daquelas que põe uma rapariga na casa do vinte a um canto, no que toca a uma relação sexual.
É uma colega que, talvez por força da sua actividade física, tem tudo no lugar e, nalguns casos, até mais que muitas mais novas.
Pessoalmente, sinto-me mais atraído por mulheres na minha faixa etária ou, como esta, na casa dos quarenta e poucos...vai-se lá saber o porquê. Por isso, custa-me a compreender a pedofilia, pedofilia no sentido de relações entre um homem e uma rapariga menor, que não sendo indefesa esta última, ainda lhe falta muito para dar prazer. Prazer como eu gosto, um prazer prolongado com preliminares sublimes a tombarem para o erótico. Prazer como um taurino que sou gosta de sentir.
Por entre os lençóis de cetim sem cor definida, numa cama conhecida mas ao mesmo tempo desconhecida, os nossos corpos transpirados de suor e luxuria transmitiam um ao outro, por entre gemidos mudos, o desejo latente, adormecido que dentro de nós devia estar oprimido.
Depois de horas, minutos talvez, o prazer tinha chegado ao seu clímax, ambos tínhamos chegado ao supra sumo, ao desejo mais desejado.
Acordei e, ao meu lado estava a minha mulher que dormia um sono, o sono dos justos. Por momentos senti-me como se tivesse cometido adultério, sem o ter cometido. Por momentos senti-me bem, não que esteja mal com quem ao meu lado dormia mas, porque aquele sonho tinha sido divinal, tinha sido apenas isso.
Cheguei ao trabalho e cruzei-me com esta colega. Senti-me mal, por segundos admito. Senti que explorei, usei e abusei de um corpo que não conhecia, de um corpo que não era meu, de um corpo que não tinha sido entregue de livre iniciativa, de espontânea vontade.
Depois destes segundos, milésimos quem sabe, dei-lhe um bom dia sorridente, confiante e triunfante. Porquê triunfante? Talvez porque o desejo que por vezes sinto de olhos abertos, foi realizado noutro mundo, no mundo dos sonhos onde, não existe o pecado, o adultério ou o mal estar, que possivelmente haveria, se não fosse nesse mundo.
Agora...
Agora recordo este sonho, que apesar de ter sido esta noite, recordo-o com nostalgia, como se o mesmo já tivesse acontecido á meses, anos, décadas, quem sabe?
quinta-feira, maio 06, 2004
Gostos
Gosto de viver onde vivo.
Às vezes olho para trás e dou conta que já tenho quase tanto tempo daqui, como da terra que me viu nascer. Não me queixo disso, que se note.
Lá, essa terra que me viu nascer é mais badalada, tem mais que fazer, à mais onde ir, mas também, é mais agressiva, mais cansativa, mais impessoal. Não me vejo a voltar definitivamente, apenas de ferias, curtas ou de alguns meses mas, apenas isso.
Aqui onde vivo, apesar de pequena e rodeada de mar, sinto-me mais à vontade, é menos agressiva, apesar de não ter tanto onde ir, tanto que fazer, enfim são opções.
Lembro-me que quando pela manhã ia trabalhar apanhava sempre os mesmos autocarros, o 56 para o Areeiro e mais um para o Aeroporto e, no entanto, apesar das caras serem quase sempre as mesmas, havia sempre aquele ar de desconfiados no ar.
Apesar de já senti-los quase como família, de saber quem era quem, onde entrava e onde saía ou, quando um dia não entrava na paragem do costume, ficar a pensar o que teria acontecido, havia sempre aquela distância de segurança.
Era pena o que sentia mas, percebia já que eu, se calhar sem me aperceber fazia o mesmo. Era pena, porque durante quase 45 minutos de viagem, poderiam ter feitas algumas amizades e não forma feitas. Até, poderiam ter havido casamentos entre alguns passageiros, onde me incluo como tal mas, sempre as mesmas caras pálidas e sem sentimentos.
Aqui, bem aqui as coisas são um pouco diferentes. Aqui, quando entro no mini-autocarro do parque de estacionamento exterior à cidade em direcção ao centro, mal se entra, já o condutor está a dar uns bons dias sorridentes. Mal me sento, se alguém se senta ao pé de mim, começa-se logo a falar, mais que não seja do estado do tempo.
Ao contrário de alguns familiares que já me visitaram, que se sentiam presos, porque não tinha como sair daqui, sem ser de avião, sinto-me liberto.
Liberto ao olhar o mar e senti-lo como uma extensão de mim, liberto porque sinto os meus pensamentos como cartas, cartas metidas dentro de garrafas e atiradas á água em direcção a qualquer parte ou a parte nenhuma.
Contemplo o mar, na sua imensidão azul e, ao contemplá-lo sinto que a distância que me separa dessa terra é a mesma que me une...num cordão umbilical invisível.
Gosto de viver aqui, nesta ilha de Jesus, mesmo que para isso, tenha abdicado de muitas coisas, materiais talvez.
Às vezes olho para trás e dou conta que já tenho quase tanto tempo daqui, como da terra que me viu nascer. Não me queixo disso, que se note.
Lá, essa terra que me viu nascer é mais badalada, tem mais que fazer, à mais onde ir, mas também, é mais agressiva, mais cansativa, mais impessoal. Não me vejo a voltar definitivamente, apenas de ferias, curtas ou de alguns meses mas, apenas isso.
Aqui onde vivo, apesar de pequena e rodeada de mar, sinto-me mais à vontade, é menos agressiva, apesar de não ter tanto onde ir, tanto que fazer, enfim são opções.
Lembro-me que quando pela manhã ia trabalhar apanhava sempre os mesmos autocarros, o 56 para o Areeiro e mais um para o Aeroporto e, no entanto, apesar das caras serem quase sempre as mesmas, havia sempre aquele ar de desconfiados no ar.
Apesar de já senti-los quase como família, de saber quem era quem, onde entrava e onde saía ou, quando um dia não entrava na paragem do costume, ficar a pensar o que teria acontecido, havia sempre aquela distância de segurança.
Era pena o que sentia mas, percebia já que eu, se calhar sem me aperceber fazia o mesmo. Era pena, porque durante quase 45 minutos de viagem, poderiam ter feitas algumas amizades e não forma feitas. Até, poderiam ter havido casamentos entre alguns passageiros, onde me incluo como tal mas, sempre as mesmas caras pálidas e sem sentimentos.
Aqui, bem aqui as coisas são um pouco diferentes. Aqui, quando entro no mini-autocarro do parque de estacionamento exterior à cidade em direcção ao centro, mal se entra, já o condutor está a dar uns bons dias sorridentes. Mal me sento, se alguém se senta ao pé de mim, começa-se logo a falar, mais que não seja do estado do tempo.
Ao contrário de alguns familiares que já me visitaram, que se sentiam presos, porque não tinha como sair daqui, sem ser de avião, sinto-me liberto.
Liberto ao olhar o mar e senti-lo como uma extensão de mim, liberto porque sinto os meus pensamentos como cartas, cartas metidas dentro de garrafas e atiradas á água em direcção a qualquer parte ou a parte nenhuma.
Contemplo o mar, na sua imensidão azul e, ao contemplá-lo sinto que a distância que me separa dessa terra é a mesma que me une...num cordão umbilical invisível.
Gosto de viver aqui, nesta ilha de Jesus, mesmo que para isso, tenha abdicado de muitas coisas, materiais talvez.
terça-feira, maio 04, 2004
Este Mundo
Vivemos num Mundo pequeno, onde a terra é apenas 1/3 da sua área. Um mundo onde 2/3 são cobertos de água e, desses 2/3 pouco ou nada sabemos.
Um mundo de opostos onde, se por um lado já fomos à Lua e estamos a caminho do espaço profundo, por outro, ainda existem povos, populações que vivem na idade da pedra, na idade do bronze ou, na idade média.
Contradições também porque, sabemos o que é o genocídio, a xenofobia, o racismo e outras facções semelhantes mas, no entanto, ainda existem pessoas que acham isso o melhor para o povo.
Local onde existe quem sobreviva com um míseros 5000 euros por mês e outros que vivem sem dinheiro.
O silêncio do ateísmo contrapõe-se com o fanatismo religioso.
Vivemos num mundo tão pequeno e, no entanto tão imenso de opostos.
Gosto deste mundo que, afinal é o único, que até agora conhecemos como habitável...se bem que a Lua deva ser um local mais calmo e mais relaxante.
Um mundo de opostos onde, se por um lado já fomos à Lua e estamos a caminho do espaço profundo, por outro, ainda existem povos, populações que vivem na idade da pedra, na idade do bronze ou, na idade média.
Contradições também porque, sabemos o que é o genocídio, a xenofobia, o racismo e outras facções semelhantes mas, no entanto, ainda existem pessoas que acham isso o melhor para o povo.
Local onde existe quem sobreviva com um míseros 5000 euros por mês e outros que vivem sem dinheiro.
O silêncio do ateísmo contrapõe-se com o fanatismo religioso.
Vivemos num mundo tão pequeno e, no entanto tão imenso de opostos.
Gosto deste mundo que, afinal é o único, que até agora conhecemos como habitável...se bem que a Lua deva ser um local mais calmo e mais relaxante.
24 horas?
A vida corre a passos largos.
Engraçado o dia ter 24 horas e, no entanto, parecerem menos do isso. Lembro-me de na minha infância que, as férias grandes eram isso mesmo...GRANDES, as datas festivas demoravam imenso a chegarem, quer fosse o Aniversário ou o Natal, em especial.
Hoje, bem hoje até para o meu filho com apenas 7 anos, acha que o tempo passa a correr, mais depressa do que ele queria, mais depressa do que eu queria. Porque será, se tal como já disse, as 24 horas continuam a ser 24 horas?
Será porque agora existem mil e uma coisas para fazer, mesmo as que não servem para nada, que nos rouba tempo?
Será porque o trabalho agora é mais intenso do que era antes?
Será porque queremos fazer imensas coisas ao mesmo tempo e, em tempos idos fazíamos uma atrás da outra?
Não me sinto velho e, como costumo dizer, ainda vou a ¼ do que espero viver (visão optimista), mas as coisas parecem passar a correr.
Ás vezes penso, visão ficçionista talvez, que estamos perante uma alteração do que é denominado espaço/tempo, ou seja, a compressão do tempo face ao espaço em que estamos, isto é, o espaço é o mesmo mas, as 24 horas que aparentemente o são, não chegam a ser.
Bem, acho que por hoje já divaguei um pouco por uma área que me é querida, a ficção cientifica, se bem que o que hoje é ficção amanhã poderá ser realidade.
O tempo passa e nem nos damos conta.
Deitamo-nos e logo já está na hora de nos levantarmos.
Começamos a trabalhar e quando parece que estamos a começar a fazer algo, já chegou a hora de sair.
Ainda “ontem” nasceu o meu filho e já vai com 7 anos.
Queria que o dia tivesse mais horas, mais outras tantas.
Mais algumas horas para poder vê-lo crescer, tal como se vê uma flor;
Mais algumas horas para poder vê-lo crescer, tal como se vê nascer e crescer o dia.
Mais algumas horas para poder perde-las comigo e com a minha família. Poder escrever e pintar. Olhar os contornos do rosto da minha mulher, ver os seus doces olhos nos riscos e rabiscos do ponto de cruz.
É uma utopia sei disso, mas...é bom sonhar e pensar que o que sonhamos um dia, poderá ser uma realidade noutro.
Afinal, porque me queixo eu da falta de tempo se, por volta das 18:00 já estamos em casa quando, milhares de famílias a essa hora ainda estão a sair dos seus trabalhos? Não tenho razões para tal...ou tenho?
Engraçado o dia ter 24 horas e, no entanto, parecerem menos do isso. Lembro-me de na minha infância que, as férias grandes eram isso mesmo...GRANDES, as datas festivas demoravam imenso a chegarem, quer fosse o Aniversário ou o Natal, em especial.
Hoje, bem hoje até para o meu filho com apenas 7 anos, acha que o tempo passa a correr, mais depressa do que ele queria, mais depressa do que eu queria. Porque será, se tal como já disse, as 24 horas continuam a ser 24 horas?
Será porque agora existem mil e uma coisas para fazer, mesmo as que não servem para nada, que nos rouba tempo?
Será porque o trabalho agora é mais intenso do que era antes?
Será porque queremos fazer imensas coisas ao mesmo tempo e, em tempos idos fazíamos uma atrás da outra?
Não me sinto velho e, como costumo dizer, ainda vou a ¼ do que espero viver (visão optimista), mas as coisas parecem passar a correr.
Ás vezes penso, visão ficçionista talvez, que estamos perante uma alteração do que é denominado espaço/tempo, ou seja, a compressão do tempo face ao espaço em que estamos, isto é, o espaço é o mesmo mas, as 24 horas que aparentemente o são, não chegam a ser.
Bem, acho que por hoje já divaguei um pouco por uma área que me é querida, a ficção cientifica, se bem que o que hoje é ficção amanhã poderá ser realidade.
O tempo passa e nem nos damos conta.
Deitamo-nos e logo já está na hora de nos levantarmos.
Começamos a trabalhar e quando parece que estamos a começar a fazer algo, já chegou a hora de sair.
Ainda “ontem” nasceu o meu filho e já vai com 7 anos.
Queria que o dia tivesse mais horas, mais outras tantas.
Mais algumas horas para poder vê-lo crescer, tal como se vê uma flor;
Mais algumas horas para poder vê-lo crescer, tal como se vê nascer e crescer o dia.
Mais algumas horas para poder perde-las comigo e com a minha família. Poder escrever e pintar. Olhar os contornos do rosto da minha mulher, ver os seus doces olhos nos riscos e rabiscos do ponto de cruz.
É uma utopia sei disso, mas...é bom sonhar e pensar que o que sonhamos um dia, poderá ser uma realidade noutro.
Afinal, porque me queixo eu da falta de tempo se, por volta das 18:00 já estamos em casa quando, milhares de famílias a essa hora ainda estão a sair dos seus trabalhos? Não tenho razões para tal...ou tenho?
segunda-feira, maio 03, 2004
Amigos
Amigos quem não os tem?
Todas as pessoas poderão dizer quem têm muitos amigos, mas...Amigos de verdade, será que os têm?
Amigos em quem confiar os vossos segredos?
Amigos a quem poderão falar sobre tudo?
Amigos de longa data, que não nos condenam por isto ou aquilo, mesmo que estejamos errados?
Se calhar destes amigos, têm poucos ou, nenhuns.
Tenho muitos colegas onde trabalho e, no entanto, apesar de falarmos, rirmos e por vezes desabafarmos, não os considero de amigos. É certo que passo mais tempo no trabalho do que em casa mas, no entanto, acho que entre nós falta qualquer coisa para sermos esses Amigos de que falo. Não sou só eu que sinto isso, penso que eles também o sentem.
Nas datas marcadas lá estão eles, lá estamos nós e, no entanto, é mais uma etiqueta que outra coisa.
Tenho amigos, alguns por certo, daqueles a quem visitamos regulamente e, mais uma vez acho que falta algo.
Será culpa minha? Será que eu é que não me abro o suficiente? Talvez, se calhar mas...
Sexta-feira recebi um telefonema de um Amigo de longa data, um dos meus dois grandes Amigos que tenho. Daqueles com quem podemos rir alto e em bom som, dizer parvoíces sem receio de nos chamarem parvo e, mesmo no silêncio perceberem o que quero dizer...sem nada dizer.
Lembrou-se, ainda que tardiamente, que na semana passada eu tinha feito anos e, dias depois o meu filho, mas lembrou-se e isso é que conta.
É certo que no dia de anos muitas foram as pessoas que me desejaram “um feliz aniversário e que contes muitos mais” mas, pareceu-me mais protocolo que outra coisa, não me pareceu de dentro, do fundo da alma. Aliás, o outro meu grande Amigo ligou-me nesse dia (lembrou-se) mas, as suas palavras soaram-me a verdadeiras, mesmo de dentro. Aliás, tirando a família, ele foi o único que me ligou e falou sobre si, a sua família, como é que ia o meu trabalho, a minha vida e, só por fim falou do meu aniversário, de uma maneira muito sua.
Se calhar sou uma pessoa exigente comigo e com os que me rodeiam.
Se calhar a minha noção de Amigos, não é igual há de outras pessoas.
Se calhar, estes meus dois Grandes Amigos, como vêm de infância e se têm mantido, apesar da distância que nos separa, talvez ache que Amizade é isso e, eu estar errado.
Se calhar, estou com saudades de estar com eles e conversarmos longas horas pela noite dentro.
Tenho amigos, muito se calhar mas...Amigos? Tirando a família mais chegada, talvez só estes dois os considere assim.
Um grande bem aja para eles e, que continuem a estar do lado de lá, para de quando em vez nos falarmos, para uma vez de 3 em 3 anos eu poder ir ao encontro deles e por um dia que seja, “voltarmos à nossa infância”...ainda que anos passados, são estes os meus mais sinceros e sentidos votos para o Paulo e para o Rui.
Todas as pessoas poderão dizer quem têm muitos amigos, mas...Amigos de verdade, será que os têm?
Amigos em quem confiar os vossos segredos?
Amigos a quem poderão falar sobre tudo?
Amigos de longa data, que não nos condenam por isto ou aquilo, mesmo que estejamos errados?
Se calhar destes amigos, têm poucos ou, nenhuns.
Tenho muitos colegas onde trabalho e, no entanto, apesar de falarmos, rirmos e por vezes desabafarmos, não os considero de amigos. É certo que passo mais tempo no trabalho do que em casa mas, no entanto, acho que entre nós falta qualquer coisa para sermos esses Amigos de que falo. Não sou só eu que sinto isso, penso que eles também o sentem.
Nas datas marcadas lá estão eles, lá estamos nós e, no entanto, é mais uma etiqueta que outra coisa.
Tenho amigos, alguns por certo, daqueles a quem visitamos regulamente e, mais uma vez acho que falta algo.
Será culpa minha? Será que eu é que não me abro o suficiente? Talvez, se calhar mas...
Sexta-feira recebi um telefonema de um Amigo de longa data, um dos meus dois grandes Amigos que tenho. Daqueles com quem podemos rir alto e em bom som, dizer parvoíces sem receio de nos chamarem parvo e, mesmo no silêncio perceberem o que quero dizer...sem nada dizer.
Lembrou-se, ainda que tardiamente, que na semana passada eu tinha feito anos e, dias depois o meu filho, mas lembrou-se e isso é que conta.
É certo que no dia de anos muitas foram as pessoas que me desejaram “um feliz aniversário e que contes muitos mais” mas, pareceu-me mais protocolo que outra coisa, não me pareceu de dentro, do fundo da alma. Aliás, o outro meu grande Amigo ligou-me nesse dia (lembrou-se) mas, as suas palavras soaram-me a verdadeiras, mesmo de dentro. Aliás, tirando a família, ele foi o único que me ligou e falou sobre si, a sua família, como é que ia o meu trabalho, a minha vida e, só por fim falou do meu aniversário, de uma maneira muito sua.
Se calhar sou uma pessoa exigente comigo e com os que me rodeiam.
Se calhar a minha noção de Amigos, não é igual há de outras pessoas.
Se calhar, estes meus dois Grandes Amigos, como vêm de infância e se têm mantido, apesar da distância que nos separa, talvez ache que Amizade é isso e, eu estar errado.
Se calhar, estou com saudades de estar com eles e conversarmos longas horas pela noite dentro.
Tenho amigos, muito se calhar mas...Amigos? Tirando a família mais chegada, talvez só estes dois os considere assim.
Um grande bem aja para eles e, que continuem a estar do lado de lá, para de quando em vez nos falarmos, para uma vez de 3 em 3 anos eu poder ir ao encontro deles e por um dia que seja, “voltarmos à nossa infância”...ainda que anos passados, são estes os meus mais sinceros e sentidos votos para o Paulo e para o Rui.
domingo, maio 02, 2004
Dia da Mãe
Hoje é o Dia da Mãe, de todas as mães, presentes e ausentes.
É um dia para ser recordado por alguns e esquecido por outros.
Eu por vezes acho que não me incluo em nenhum deles, lamentavelmente.
Por vezes sinto que não passei mais do que...uma mera experiência cientifica onde, um jacto de esperma foi introduzido num útero para fecundar um óvulo e nada mais, como se fosse um clone, um bebé proveta ou algo semelhante.
Aquela a quem chamo de mãe, sinto como se apenas fosse (e é) uma mera mãe biológica e nada mais. É triste sentir isto mas, é o que sinto por ela.
Hoje é o dia da Mãe, no entanto...
Nunca senti que tivesse tido uma a quem chamar de Mãe. A única a quem poderia ter chamado de tal já faleceu e, no entanto não o era.
Hoje sinto-me em baixo, talvez seja da música que ouço, calma, melancólica...
Não! Seria mentir a mim mesmo se dissesse que era por causa da música, que neste caso até que ajuda a “voar” a espairecer as ideias.
Como à pouco disse a quem me merece, por vezes sinto que sou uma árvore sem raízes e, no entanto de pé, quer seja Verão ou Inverno, faça chuva ou sol.
Hoje é o dia da Mãe...
E no entanto não me sinto alegre pela minha, que apesar de a ter é como se nunca a tivesse tido...tal como o meu Pai, que não cheguei a conhecer.
No meio destes sentimentos dúbios, por vezes, o que me anima e alegra é saber que tenho duas pessoas que me Amam e, que por elas farei tudo para serem felizes, já que eu...se o fui, não me lembro.
É um dia para ser recordado por alguns e esquecido por outros.
Eu por vezes acho que não me incluo em nenhum deles, lamentavelmente.
Por vezes sinto que não passei mais do que...uma mera experiência cientifica onde, um jacto de esperma foi introduzido num útero para fecundar um óvulo e nada mais, como se fosse um clone, um bebé proveta ou algo semelhante.
Aquela a quem chamo de mãe, sinto como se apenas fosse (e é) uma mera mãe biológica e nada mais. É triste sentir isto mas, é o que sinto por ela.
Hoje é o dia da Mãe, no entanto...
Nunca senti que tivesse tido uma a quem chamar de Mãe. A única a quem poderia ter chamado de tal já faleceu e, no entanto não o era.
Hoje sinto-me em baixo, talvez seja da música que ouço, calma, melancólica...
Não! Seria mentir a mim mesmo se dissesse que era por causa da música, que neste caso até que ajuda a “voar” a espairecer as ideias.
Como à pouco disse a quem me merece, por vezes sinto que sou uma árvore sem raízes e, no entanto de pé, quer seja Verão ou Inverno, faça chuva ou sol.
Hoje é o dia da Mãe...
E no entanto não me sinto alegre pela minha, que apesar de a ter é como se nunca a tivesse tido...tal como o meu Pai, que não cheguei a conhecer.
No meio destes sentimentos dúbios, por vezes, o que me anima e alegra é saber que tenho duas pessoas que me Amam e, que por elas farei tudo para serem felizes, já que eu...se o fui, não me lembro.
sexta-feira, abril 30, 2004
Máquina do Tempo
As ondas vão e vêm em tons de azul celeste neste mar imenso. Nesta praia de areias negras com esta visão pela frente, além de mim encontra-se um rapaz com cerca de 7 anos. Está sentado e de quando em vez atira uma pedra para a água para ver o seu efeito.
Apenas uma pequena pedra é o bastante para desencadear uma tempestade constante que, não só não quer terminar, como cada dia que passa aumenta mais e mais, originando, por vezes, tempestades com gigantescas vagas do tamanho de um preconceito, de uma ideia, de um grito mudo ou de uma cor... apenas uma pequena pedra.
Eu e ele, ele e eu, somos os únicos que estamos aqui, ali.
Ele pensa aquilo que eu já pensei quando tinha a sua idade. Todas as suas incertezas já eu as tive.
Mais uma pedra é atirada à água. Mais uma vez o seu efeito é o mesmo. Círculos atrás de círculos, atrás de círculos...
Gostava de ter a idade que ele tem e saber o que sei hoje, mas isso é impossível. Gostava de lhe transmitir todo o meu conhecimento, mas não posso. Gostava de lhe dizer que as coisas vão melhorar, apesar de tudo, mas não consigo.
Outra pequena pedra é lançada no azul do céu e devido às leis imutáveis da gravidade, cai no azul do mar.
Sete anos se passaram para o rapaz que ali está que, podia nem sequer ter visto a luz do dia devido a erros de outros.
Apenas uma pequena pedra é o bastante para desencadear uma tempestade constante que, não só não quer terminar, como cada dia que passa aumenta mais e mais, originando, por vezes, tempestades com gigantescas vagas do tamanho de um preconceito, de uma ideia, de um grito mudo ou de uma cor... apenas uma pequena pedra.
Eu e ele, ele e eu, somos os únicos que estamos aqui, ali.
Ele pensa aquilo que eu já pensei quando tinha a sua idade. Todas as suas incertezas já eu as tive.
Mais uma pedra é atirada à água. Mais uma vez o seu efeito é o mesmo. Círculos atrás de círculos, atrás de círculos...
Gostava de ter a idade que ele tem e saber o que sei hoje, mas isso é impossível. Gostava de lhe transmitir todo o meu conhecimento, mas não posso. Gostava de lhe dizer que as coisas vão melhorar, apesar de tudo, mas não consigo.
Outra pequena pedra é lançada no azul do céu e devido às leis imutáveis da gravidade, cai no azul do mar.
Sete anos se passaram para o rapaz que ali está que, podia nem sequer ter visto a luz do dia devido a erros de outros.
quinta-feira, abril 29, 2004
Carta com sabor a mar
Ontem, ao revirar coisas antigas, encontrei esta carta. Carta que escrevi em 7 de Setembro de 2000, depois de ter trazido às festas de verão donde vivo o Palhaço Croquete e, apeteceu-me passá-la a limpo para aqui.
"Caro Amigo António,
Faço votos para que ao receber esta minha carta, a mesma o vá encontrar de boa saúde em companhia da restante família, que nós os três por cá vamos bem na graça de Deus.
Ainda que por poucas horas, foi um privilégio, para mim, tê-lo conhecido a si e ao seu amigo Croquete.
Senti-me honrado ter podido conversar consigo sobre vários assuntos, sobre tudo e sobre nada, sobre a sua vida pessoal e familiar, sobre a sua vida profissional.
Para mim, o Croquete não é um palhaço como os outros, e que me perdoem esses outros. Para mim o Croquete é um palhaço que educa, um palhaço que instrui.
Não é aquele palhaço que faz rir as crianças a troco de um tropeção ou de uma queda premeditada,
Não é aquele palhaço que diz uma piada fácil,
Não é aquele palhaço que ao acabar o espectáculo, esquece-se das crianças presentes e acabada “palhaçada”.
É difícil, no dia-a-dia em que vivemos ver alguém, que apesar dos seus problemas, dúvidas, anseios, medos, alegrias e sonhos, ficar fechado num camarim durante 1 ou 2 horas e dar o seu lugar a outra pessoa para ir ao palco dar um pouco de alegria e felicidade a quem está presente, sobretudo crianças. Deve ser difícil ao António ficar fechado e deixar ir por si o Croquete. Apesar de, por vezes a sociedade não o reconhecer, não são muitos que fazem aquilo que faz, e não me refiro às pinturas, à roupa, aos adereços.
Refiro-me ao facto de ser capaz de dar sem pedir nada em troca.
Refiro-me ao facto de, apesar de estar a chover, ficar no palco, como se estivesse numa esplanada a beber uma água mineral num dia de Verão.
Refiro-me ao facto de apesar de faltarem adereços, improvisá-los do nada.
Não, não estou a pô-lo num pedestal. Para pôr num pedestal já temos santos que chegue. Simplesmente estou a escrever aquilo que penso. Porquê?
Porque...
Sabes Croquete, o que mais me tocou e que mais de deu que pensar, foi teres-me dito que um dia quando estavas a fazer um espectáculo numa escola, uma das crianças ter tido um acidente com alguma gravidade, e ter ido para o Hospital, sem se saber se escapava ou não. Bem, não foi bem isso, foi pelo facto de apesar de seres brincalhão, a criança que já fomos e dificilmente voltaremos a ser, de fazeres sonhar as crianças com um mundo melhor, de fazeres sorrir a quem por vezes só apetece chorar, teres tido a coragem de teres ido ao camarim buscar o António e, os dois de mão dada, terem rezado, ali, ao pé das crianças pelas melhoras daquela que minutos antes estava ali para te ver.
Nos dias que correm, são poucos os “Croquetes” que dão a mão aos “Antónios”,
São poucos aqueles que tentam ajudar o próximo,
São poucos aqueles que agasalham os que têm frio,
São poucos aqueles que dão de comer a quem tem fome,
São poucos aqueles que dão guarida a quem não tem um tecto.
É triste saber e ver que os “Croquetes” preferem continuar a ser “Croquetes”, ao invés de darem as mãos aos “Antónios” e, juntos fazerem
Um mundo melhor,
Um mundo onde aja Paz,
Um mundo onde aja Amor,
Um mundo onde aja Compreensão.
Sim, porque são muito poucas aquelas pessoas que não usam “pinturas” e mostram aquilo que realmente são.
Eu sei que nesta altura o teu amigo António deve estar a rir disto que te estou a dizer, deve estar a pensar que isso é uma utopia. É capaz de ter razão, quem sabe, mas também não será uma utopia alguém querer ser duas pessoas ao mesmo tempo, não será uma utopia alguém ser António numa altura e noutra altura ser o Croquete. É bem possível, mas apesar de ser uma utopia, o facto é que é real, e melhor que isso, resulta. Então será que a minha utopia não poderá ser real e resultar?
Sabes Croquete, já deves estar farto de ler esta minha carta que mais parece uma aula de moral e bons costumes, mas por vezes tenho estas fraquezas, por vezes penso que consigo mudar o mundo, por vezes penso que amanhã tudo de mau e negativo vai acabar e, dar lugar a tudo de bom e positivo, por vezes penso...
Olha Croquete, por agora é só. Espero que não tenhas ficado chateado ou ofendido com alguma coisa que te tenha dito ou feito durante o tempo que estiveste nas festas em que eu era um dos responsáveis. Espero que tenhas gostado deste pedaço de verde rodeado de azul.
Ah! Já me ia esquecendo, dá um abraço por nós ao António e restante família, e já agora, vai dando noticias e volta sempre que quiseres.
Um abraço dos três estarolas,"
"Caro Amigo António,
Faço votos para que ao receber esta minha carta, a mesma o vá encontrar de boa saúde em companhia da restante família, que nós os três por cá vamos bem na graça de Deus.
Ainda que por poucas horas, foi um privilégio, para mim, tê-lo conhecido a si e ao seu amigo Croquete.
Senti-me honrado ter podido conversar consigo sobre vários assuntos, sobre tudo e sobre nada, sobre a sua vida pessoal e familiar, sobre a sua vida profissional.
Para mim, o Croquete não é um palhaço como os outros, e que me perdoem esses outros. Para mim o Croquete é um palhaço que educa, um palhaço que instrui.
Não é aquele palhaço que faz rir as crianças a troco de um tropeção ou de uma queda premeditada,
Não é aquele palhaço que diz uma piada fácil,
Não é aquele palhaço que ao acabar o espectáculo, esquece-se das crianças presentes e acabada “palhaçada”.
É difícil, no dia-a-dia em que vivemos ver alguém, que apesar dos seus problemas, dúvidas, anseios, medos, alegrias e sonhos, ficar fechado num camarim durante 1 ou 2 horas e dar o seu lugar a outra pessoa para ir ao palco dar um pouco de alegria e felicidade a quem está presente, sobretudo crianças. Deve ser difícil ao António ficar fechado e deixar ir por si o Croquete. Apesar de, por vezes a sociedade não o reconhecer, não são muitos que fazem aquilo que faz, e não me refiro às pinturas, à roupa, aos adereços.
Refiro-me ao facto de ser capaz de dar sem pedir nada em troca.
Refiro-me ao facto de, apesar de estar a chover, ficar no palco, como se estivesse numa esplanada a beber uma água mineral num dia de Verão.
Refiro-me ao facto de apesar de faltarem adereços, improvisá-los do nada.
Não, não estou a pô-lo num pedestal. Para pôr num pedestal já temos santos que chegue. Simplesmente estou a escrever aquilo que penso. Porquê?
Porque...
Sabes Croquete, o que mais me tocou e que mais de deu que pensar, foi teres-me dito que um dia quando estavas a fazer um espectáculo numa escola, uma das crianças ter tido um acidente com alguma gravidade, e ter ido para o Hospital, sem se saber se escapava ou não. Bem, não foi bem isso, foi pelo facto de apesar de seres brincalhão, a criança que já fomos e dificilmente voltaremos a ser, de fazeres sonhar as crianças com um mundo melhor, de fazeres sorrir a quem por vezes só apetece chorar, teres tido a coragem de teres ido ao camarim buscar o António e, os dois de mão dada, terem rezado, ali, ao pé das crianças pelas melhoras daquela que minutos antes estava ali para te ver.
Nos dias que correm, são poucos os “Croquetes” que dão a mão aos “Antónios”,
São poucos aqueles que tentam ajudar o próximo,
São poucos aqueles que agasalham os que têm frio,
São poucos aqueles que dão de comer a quem tem fome,
São poucos aqueles que dão guarida a quem não tem um tecto.
É triste saber e ver que os “Croquetes” preferem continuar a ser “Croquetes”, ao invés de darem as mãos aos “Antónios” e, juntos fazerem
Um mundo melhor,
Um mundo onde aja Paz,
Um mundo onde aja Amor,
Um mundo onde aja Compreensão.
Sim, porque são muito poucas aquelas pessoas que não usam “pinturas” e mostram aquilo que realmente são.
Eu sei que nesta altura o teu amigo António deve estar a rir disto que te estou a dizer, deve estar a pensar que isso é uma utopia. É capaz de ter razão, quem sabe, mas também não será uma utopia alguém querer ser duas pessoas ao mesmo tempo, não será uma utopia alguém ser António numa altura e noutra altura ser o Croquete. É bem possível, mas apesar de ser uma utopia, o facto é que é real, e melhor que isso, resulta. Então será que a minha utopia não poderá ser real e resultar?
Sabes Croquete, já deves estar farto de ler esta minha carta que mais parece uma aula de moral e bons costumes, mas por vezes tenho estas fraquezas, por vezes penso que consigo mudar o mundo, por vezes penso que amanhã tudo de mau e negativo vai acabar e, dar lugar a tudo de bom e positivo, por vezes penso...
Olha Croquete, por agora é só. Espero que não tenhas ficado chateado ou ofendido com alguma coisa que te tenha dito ou feito durante o tempo que estiveste nas festas em que eu era um dos responsáveis. Espero que tenhas gostado deste pedaço de verde rodeado de azul.
Ah! Já me ia esquecendo, dá um abraço por nós ao António e restante família, e já agora, vai dando noticias e volta sempre que quiseres.
Um abraço dos três estarolas,"
Apresentação
Depois de ler e reler inúmeros Blogs, uns melhores e outros nem por isso, uns com fotografias e outros sem, lembrei-me de também eu, porque não, criar um Diário assim virtual. É claro que sou mais adepto do papel e da caneca mas, aqui não se gasta papel, tinta e dinheiro.
Não sei o que será deste Diário, se terá futuro ou não, nem tão pouco sei se irá passar do primeiro dia mas, vamos em frente e ver no que dará.
Dei-lhe este nome, porque sempre achei esta historia escrita por Richard Bach, um marco na literatura, tal como é o “Princepezinho”. Ambas são historias simples, banais por vezes, mas com um conteúdo riquíssimo, com muito para se dizer e mais para se pensar.
Também optei por este servidor de blogs porque, ao contrário de outros, este não dá para comentar, pelo menos por aqui e, como tal, acho-o mais perto dos ditos diários, onde se escreve o que nos vai na alma e ninguém nos condenará ou apoiará aquilo que escrevermos.
Bem, acho que para começo já chega, amanhã talvez volte aqui e, deixar mais alguns dos meus pensamentos, fantasmas, alegrias, tristezas, em suma, um pouco de mim.
Não sei o que será deste Diário, se terá futuro ou não, nem tão pouco sei se irá passar do primeiro dia mas, vamos em frente e ver no que dará.
Dei-lhe este nome, porque sempre achei esta historia escrita por Richard Bach, um marco na literatura, tal como é o “Princepezinho”. Ambas são historias simples, banais por vezes, mas com um conteúdo riquíssimo, com muito para se dizer e mais para se pensar.
Também optei por este servidor de blogs porque, ao contrário de outros, este não dá para comentar, pelo menos por aqui e, como tal, acho-o mais perto dos ditos diários, onde se escreve o que nos vai na alma e ninguém nos condenará ou apoiará aquilo que escrevermos.
Bem, acho que para começo já chega, amanhã talvez volte aqui e, deixar mais alguns dos meus pensamentos, fantasmas, alegrias, tristezas, em suma, um pouco de mim.
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